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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Sapos, rãs e pererecas

Os termos sapo, rã e perereca não têm significado filogenético, ou seja, não estão relacionados a grupos monofiléticos.

Em geral, são chamadas de rãs aqueles anfíbios que apresentam pele mais lisa e úmida e passam a maior parte do tempo na água. As longas pernas posteriores são adaptadas para o salto ou para a natação (possuem membrana entre os dedos).

Os anfíbios conhecidos como sapos têm a pele mais grossa e rugosa, passam mais tempo fora da água e suas pernas posteriores são menores que as das rãs (dão saltos mais curtos).

As pererecas têm discos adesivos na ponta dos dedos, que as ajudam a subir em árvores; passam mais tempo na terra. Na língua indígena tupi-guarani, perereca significa ‘andar aos saltos’.

O uso de termos cotidianos, como sapos, rãs e pererecas, que não correspondem à classificação biológica dos anfíbios, ilustra o fato de que o conhecimento cotidiano nem sempre coincide com o conhecimento científico. Isso não significa necessariamente que um esteja errado e outro certo: há situações em que um deles é mais adequado que o outro. Os diferentes tipos de conhecimento e o uso das palavras são discutidos em Filosofia e Língua Portuguesa.

Fonte: Biologia Hoje.

Recriando dinossauros

Alguns livros e filmes de ficção científica abordam a possibilidade de recriação dos dinossauros em laboratório por meio do implante do DNA desses répteis na célula-ovo de outro animal.

No entanto, há vários fatores que fazem com que isso seja bastante improvável. Entre eles, o fato de que o DNA começar a se decompor após a morte do organismo e, como os dinossauros se extinguiram há cerca de 65 milhões de anos, seria praticamente impossível conseguir um gene completo. No máximo, restariam apenas pequenos trechos. Se usarmos genes de outro animal para completar os pedaços que estão faltando, não teríamos nenhuma garantia de produzir um dinossauro. Outro problema é que, mesmo que conseguíssemos um conjunto completo de genes, ele teria de ser colocado em uma célula-ovo de dinossauro para que funcionasse corretamente. Isso porque os genes têm de ser ativados e regulados por substâncias do citoplasma da célula-ovo específicas dos dinossauros. Seria pouco provável que genes de dinossauros funcionassem adequadamente quando colocados em ovos de outras espécies. 

Além disso, mesmo que fosse possível recriá-los, eles estariam vivendo em um mundo bem diferente. 

Os herbívoros não encontrariam as plantas exatas das quais se alimentavam, por exemplo. 

Fonte de pesquisa: DESALLE, B.; LINDLEY, D. Jurassic Park e o mundo perdido: ou como fazer um dinossauro. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

Temperatura e determinação do sexo nos répteis

Nos crocodilianos, na maioria dos quelônios (tartarugas) e em alguns lagartos, o sexo do filhote é determinado pela temperatura ambiente durante o desenvolvimento do embrião. Uma variação de 2 ºC ou 4 ºC pode determinar se o embrião se tornará macho ou fêmea. Em algumas tartarugas, por exemplo, ovos incubados em temperaturas iguais ou menores que 26 ºC originam machos; ovos com temperatura acima de 31 ºC produzem fêmeas. Temperaturas de transição podem produzir tanto machos quanto fêmeas, dependendo de outros fatores, como a taxa de hormônios.

A temperatura age nas etapas iniciais do desenvolvimento. Como há variação diária ou sazonal de temperatura, ambos os sexos são produzidos. Além disso, a temperatura varia também de ninho para ninho, dependendo da luz e da sombra ou se os ovos estão na superfície ou no fundo do ninho.

Se a temperatura do planeta continuar aumentando, por causa do aquecimento global, poderá ocorrer uma desproporção entre os sexos, ou até a produção apenas de tartarugas fêmeas, o que poderá ocasionar a extinção desse grupo.

Fonte: Biologia Hoje.

sábado, 9 de abril de 2022

Fraturas e outros problemas nos ossos

Quando um osso se quebra, dizemos que ocorreu uma fratura. No local da fratura ocorre hemorragia, por causa de lesões dos vasos sanguíneos, destruição da matriz e morte de células ósseas.

As células do periósteo e do endósteo multiplicam-se e diferenciam-se em osteoblastos e produzem um tecido que depois sofrerá ossificação, formando um calo ósseo, um tecido ósseo imaturo, que une as partes quebradas. Ao mesmo tempo, macrófagos e osteoclastos removem coágulos e células mortas. Com o tempo, a matriz volta a se organizar em sistemas de Havers.

Se houver fratura ou suspeita de fratura, não se deve tentar colocar o osso “no lugar”. A vítima deve permanecer imóvel, e os primeiros socorros devem ser prestados por alguém preparado para isso. Em geral, a região fraturada é imobilizada com auxílio de gesso ou de aparelhos especiais. As partes quebradas são mantidas próximas umas das outras para que o osso possa se reconstituir.

Radiografia de perna mostrando fratura da tíbia e da fíbula.

Além das fraturas, que geralmente são causadas por acidentes, outros problemas nos ossos podem ser causados por má alimentação, sedentarismo, falta de exposição ao sol, entre outras causas.

A desnutrição é a principal causa da deficiência de crescimento. Em crianças, a falta de vitamina D, que promove a absorção do cálcio dos alimentos no intestino, provoca o raquitismo: os ossos não crescem normalmente e os ossos longos das pernas, ainda com cartilagem de conjugação, deformam-se com o peso do corpo. Boa alimentação, com quantidade adequada de cálcio e vitamina D, e prática adequada de esportes ou de atividade física ajudam no crescimento e fortalecem os ossos

Para os jovens em fase de crescimento, o ideal é praticar algum esporte ou atividade física regular, mas sem excessos: caminhadas, natação, bicicleta, corrida, futebol.

A atividade física regular, orientada por especialistas, ajuda também a prevenir a osteoporose, ou seja, a perda de massa óssea, que deixa os ossos mais fracos e com risco maior de fraturas.

Fonte: Biologia Hoje.

Cor da pele e diversidade

Sabemos que as diferenças na cor da pele das pessoas se devem a fatores genéticos e também comportamentais. Já foram identificados dezenas de genes que atuam na série de etapas envolvidas na produção de melanina, o pigmento responsável pela coloração da pele. Além disso, a exposição ao sol aumenta a produção desse pigmento, mudando o tom da pele.

Mesmo que as possibilidades de tons de pele sejam quase infinitas, é muito comum as pessoas serem identificadas socialmente por sua cor dentro de um conceito de raça. Mas, como veremos com mais detalhes no Volume 3 desta coleção, para afirmar que duas populações têm raças diferentes uma da outra, é necessário que exista um conjunto de características exclusivo em uma das populações ou, pelo menos, muito mais frequente em uma delas do que em outra.

No caso da espécie humana, isso não é observado: a constituição genética de todos os indivíduos é semelhante. Há apenas uma porcentagem de genes que se diferenciam (aqueles ligados à aparência física, à cor da pele, etc.), não havendo, portanto, justificativa biológica para a classificação da sociedade em raças.

O conceito de raça é uma construção social historicamente usada para justificar preconceitos e discriminações que prejudicam toda a sociedade. A exploração de povos africanos pelos europeus, no Brasil e em outras regiões, é apenas um dos muitos exemplos em que o conceito de raça foi usado por um grupo para dominar outro.

No Brasil, a lei 7 716/89 de janeiro de 1989 prevê pena para crimes resultantes de discriminação ou preconceito de “raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Outras formas de discriminação, como em relação à orientação sexual e à identidade de gênero também devem ser fortemente combatidas. Cabe aos cidadãos e à sociedade promover o convívio com as diferenças e valorizar a diversidade cultural que enriquece o país. A cooperação entre os indivíduos é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa, que combata a violência gerada pela intolerância.

Fonte: Biologia Hoje.