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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Sífilis

É uma doença grave que, se não tratada, pode generalizar-se pelo organismo e atingir o sistema nervoso, os pulmões, o fígado, o coração e outros órgãos.

É causada pelo espiroqueta Treponema pallidum, transmitida, principalmente, pelo contato sexual. A sífilis, portanto, é mais uma doença do grupo das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). A transmissão também pode ocorrer por meio de transfusões sanguíneas e através da placenta (a mãe infectada pode transmitir a doença ao filho, durante a vida intrauterina). Neste último caso, a sífilis pode provocar aborto, lesões no fígado, nos ossos e no sistema nervoso do bebê, surdez ou mesmo parto de feto morto (natimorto).

A primeira manifestação da sífilis (fase primária da doença) ocorre cerca de duas ou três semanas após a infecção, quando o Treponema já se espalhou por todo o organismo: uma ferida de borda endurecida e normalmente indolor, chamada de “cancro duro”, aparece nos órgãos sexuais, na boca ou em outras partes do corpo. Essa ferida desaparece mesmo sem tratamento e, por isso, muitas vezes, o indivíduo não procura orientação médica.

Após um período que varia entre um e três meses desde o desaparecimento do “cancro duro”, surgem manchas avermelhadas por todo o corpo, dor de cabeça, feridas na boca e na garganta: é a fase secundária da doença.

Os sintomas da fase secundária também regridem depois de certo tempo, mas, caso não seja tratada, a doença entra na etapa em que passa a afetar diversos órgãos: é a fase terciária, que pode manifestar-se muitos anos depois da fase secundária.

Na fase terciária, o sistema nervoso central e o coração são os órgãos mais frequentemente atacados, e o resultado pode ser cegueira, insanidade mental, doenças cardíacas, paralisia e morte.

O diagnóstico da doença, no seu período inicial, pode ser feito pela descoberta direta do Treponema nas lesões da pele. Na sífilis mais adiantada, só o exame de sangue permite o diagnóstico conclusivo. Um dos exames muito utilizados é o teste conhecido por VDRL (venereal disease research laboratory). O tratamento da doença é feito com antibióticos, sempre sob orientação médica.

Psitacose (Ornitose)

É causada por micro-organismos conhecidos por clamídias.

Anteriormente, as clamídias eram consideradas vírus, devido ao seu parasitismo intracelular obrigatório. Atualmente, são classificadas como bactérias e diferem dos vírus pelas seguintes características: como as bactérias, as clamídias possuem os dois tipos de ácidos nucleicos (RNA e DNA); multiplicam-se por divisão binária, o que nunca acontece com os vírus; possuem uma parede celular do tipo bacteriano; possuem ribossomos, o que não se observa nos vírus; possuem diversas enzimas metabólicas ativas; seu crescimento é inibido por muitos agentes antibacterianos.

A psitacose é uma doença de aves que pode ser transmitida ao homem, no qual produz uma série de manifestações clínicas que vão desde uma infecção “benigna”, inaparente, até uma pneumonia grave, com septicemia e morte.

O termo psitacose é empregado para a doença humana e aviária adquirida a partir do contato com pássaros psitacídeos, como papagaios e periquitos. Já o termo ornitose aplica-se à infecção em aves domésticas, por exemplo pombos, galinhas, patos e gansos, e selvagens (gaivotas, garças e outras).

Comumente, as aves adquirem a infecção no ninho, após o nascimento. Podem apresentar manifestações diarreicas ou mesmo não manifestar nenhum sintoma da doença, passando a ser portadoras do agente infectante durante toda a vida, excretando-o junto com as fezes. A inalação das fezes infectadas, secas, das aves é uma via comum de infecção humana. Como o micro-organismo também pode ser encontrado nos tecidos das aves, outra fonte de infecção está no manuseio dos órgãos desses animais, como acontece, por exemplo, nos abatedouros. As pessoas que trabalham em granjas de criação, no abate, preparo e embalagem de aves, com certa frequência apresentam quadros clínicos e subclínicos da doença. Em granjas, a doença tem ocasionado, às vezes, elevada mortalidade entre as aves, com grande perda econômica. Tem-se usado acrescentar antibióticos (tetraciclinas, por exemplo) aos alimentos das aves com a finalidade de reduzir o número de portadores.

Pneumonia bacteriana

A pneumonia é uma inflamação de um ou de ambos os pulmões, causada, na maioria das vezes, por bactérias que penetram em nosso organismo pelas vias respiratórias. Entre as bactérias causadoras da pneumonia humana, destaca-se o Diplococcus pneumoniae (pneumococos).

A doença começa com febre alta, tremores, tosse com expectoração amarelada ou cor de tijolo e dores no peito e nas costas, principalmente ao tossir ou respirar. Essas dores tendem a aumentar com a progressão da doença.

O tratamento é feito com antibióticos e outros medicamentos. O doente deve ficar em repouso e manter boa alimentação.

Além das bactérias patogênicas propriamente ditas, existem as chamadas bactérias oportunistas, que só causam doença quando há uma deficiência no nosso sistema de defesa. Um exemplo é o Streptococcus pneumoniae, uma bactéria que vive na garganta da maioria das pessoas sadias. Quando há uma queda na capacidade de defesa da pessoa, essa bactéria prolifera, invade os pulmões e causa pneumonia.

Peste bubônica

Causada pela bactéria Yersinia pestis (bacilo de Yersin), conhecida anteriormente por Pasteurella pestis, é transmitida ao homem pela pulga do rato.

A doença pode manifestar-se sob duas formas clínicas: a bubônica e a pneumônica. A forma bubônica é assim denominada porque se caracteriza pela formação de tumefações (inchaços) ganglionares, vulgarmente chamadas de “bubões”, geralmente localizadas na região da virilha (ponto de junção da coxa com o ventre). A forma pneumônica evolui com os sintomas típicos de uma pneumonia. Enquanto a forma bubônica é relativamente “benigna”, a forma pneumônica é quase sempre fatal.

A peste bubônica foi outrora um dos maiores flagelos da humanidade: no reinado de Justiniano, dizimou quase 50% da população do Império Romano e, no século XIV, a “peste negra”, como era chamada, produziu perto de 25 milhões de vítimas, ou seja, aproximadamente um quarto da população da Europa naquele tempo.

O combate aos ratos e às pulgas é uma medida essencial na profilaxia da doença.

Meningite meningocócica

A meningite é uma inflamação das meninges (membranas que envolvem e protegem os órgãos do sistema nervoso central) e pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos. A meningite menigocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também conhecida por meningococos.

Sua transmissão se faz pela inalação de ar contaminado pelos meningococos. As pessoas infectadas liberam essas bactérias no ar por meio da tosse, do espirro e da fala. Mesmo sem apresentar os sintomas da doença, uma pessoa pode estar contaminada pelos meningococos e transmiti-los a outras.

As bactérias invadem inicialmente a garganta e depois, por meio da corrente sanguínea, podem chegar às meninges. Surgem, então, febre alta, náuseas, vômitos, forte dor de cabeça, sonolência e um sintoma típico: a rigidez dos músculos da nuca, impedindo o doente de encostar o queixo no peito.

O doente deve ser hospitalizado e submetido a tratamento com antibióticos, pois, se não tratada a tempo, a doença pode ser fatal.

Para a sua prevenção, devem-se evitar ambientes fechados e aglomerações de pessoas, especialmente quando há um surto da doença; sempre que possível, preferir o uso de utensílios (copos, talheres, etc.) descartáveis (essa norma é importante para bares e outros recintos públicos), bem como isolar o doente em hospitais especializados (a meningite meningocócica é altamente contagiosa). As vacinas contra a doença não são ainda totalmente eficazes, sendo usadas apenas em período de surtos epidêmicos ou por indivíduos que mantiveram contato com doentes.