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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Leptospirose

É causada por um espiroqueta, a Leptospira icterohaemorrhagiae, que é transmitida pelo con ta to com água e ou tros ma teriais contaminados com excreções (fezes e urina) de animais hospedeiros, notadamente ratos e camundongos. Esses animais eliminam as leptospiras nas fezes e na urina, não só durante a doença, mas também durante a condição de portador assintomático. As leptospiras podem permanecer viáveis na água estagnada por várias semanas. A infecção humana resulta geralmente da ingestão de água ou de alimentos contaminados com as bactérias, que também podem penetrar através de ferimentos ou rachaduras existentes na pele e mucosas. Indivíduos sujeitos ao contato com água poluída por ratos (operários de esgotos, por exemplo) correm maior risco de infecção.

Após uma incubação de 1 a 2 semanas, começa um período febril, durante o qual os espiroquetas estão presentes na corrente sanguínea. Posteriormente, as bactérias atacam diferentes órgãos (principalmente fígado e rins), produzindo hemorragias e necrose dos tecidos, o que resulta em alterações funcionais desses órgãos. O comprometimento renal, em muitas espécies de animais, é crônico, determinando a eliminação de grande número de leptospiras na urina.

A profilaxia da doença consiste na eliminação da fonte de infecção e na utilização de vestimentas protetoras por parte daqueles que trabalham em locais possivelmente contaminados (arrozais, canaviais, esgotos e outros).

Lepra (Hanseníase)

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen), seu modo de transmissão é controverso. Acredita-se que seja por contato direto com os bacilos, encontrados nas gotículas de saliva, secreções nasais e feridas dos doentes. Entretanto, a exposição da pessoa ao bacilo não significa, obrigatoriamente, a instalação da doença.

De um modo geral, a doença manifesta-se de três a cinco anos após o contágio. O período de incubação, entretanto, pode estender-se por vários anos, como é o caso de crianças que se infectam na infância e só desenvolvem os sintomas da doença na vida adulta.

Na forma mais grave da lepra, a lepromatosa, surgem inicialmente, na pele, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, que não coçam e tornam o local insensível. Muitas vezes, a pessoa se queima ou se fere nesses locais e nem percebe. A evolução da doença é lenta, com destruição da pele, das mucosas nasal, bucal e faringeana, dos olhos e das vísceras.

É importante que se procure orientação médica diante da menor suspeita. A doença tem cura, o que permite o restabelecimento completo, inclusive das lesões, quando precoces. A cirurgia plástica também pode auxiliar na restauração das partes mais atingidas.

Ainda não existe uma vacina contra a hanseníase, embora numerosos cientistas estejam pesquisando um medicamento e conseguindo resultados animadores.

Febre tifoide

É causada pela bactéria Salmonella typhi (bacilo de Ebert), que é transmitida através da água e de alimentos contaminados, especialmente aqueles que são consumidos crus (leite, ostras, verduras, frutas e outros).

Penetrando pela via digestiva, a bactéria ataca a mucosa intestinal, invade a corrente sanguínea e propaga-se por outros órgãos (fígado, baço e medula óssea).

Os principais sintomas da doença são febre alta, falta de apetite, dores musculares, diarreia, vômitos e manchas vermelhas na pele. Algumas pessoas podem não apresentar manifestações desses sintomas, mas alojar os bacilos no corpo e liberá-los pelo suor, pela urina e, principalmente, pelas fezes. Tais pessoas são ditas portadoras. Algumas pessoas infectadas podem, após o desaparecimento dos sintomas da doença, continuar portando alguns bacilos por longos períodos de tempo e, assim, tornam-se portadores crônicos. Suas fezes constituirão um perigo para a população, pois delas poderão advir epidemias.

A febre tifoide pode ocorrer de maneira epidêmica, principalmente durante o período de chuvas torrenciais (enchentes), nas localidades onde são precárias as condições de engenharia sanitária e saneamento básico, já que essa situação favorece e aumenta a possibilidade de contaminação da água potável pelas fezes de indivíduos doentes e portadores. Essas epidemias podem ser facilmente debeladas por medidas de engenharia sanitária relativas à canalização da água e dos esgotos, bem como pela cloração da água de abastecimento.

A imunização preventiva das pessoas é feita mediante a injeção subcutânea de 2 doses de vacina antitífica, com intervalos de 2 a 4 semanas.

Disenterias bacterianas

As bactérias que causam essas infecções são transmitidas principalmente pela ingestão de água e de alimentos contaminados.

Entre elas, destacam-se as dos gêneros Shigella e Salmonella. As do gênero Shigella causam a disenteria bacilar, caracterizada por uma enterite (inflamação dos intestinos), diarreia, dores abdominais e, às vezes, febre; as do gênero Salmonella são responsáveis por intoxicações alimentares que apresentam um quadro semelhante ao da disenteria bacilar, porém acometem também regiões mais altas do aparelho digestório (estômago e intestino delgado). Todas as disenterias, independentemente de sua etiologia (vírus, bactérias, protozoários), exigem um pronto atendimento médico e cuidados com a desidratação, por meio de preparados que mantêm o equilíbrio de água e sais do organismo. Nas de etiologia bacteriana, o tratamento inclui também o uso de antibióticos.

A prevenção dessas doenças exige melhorias no padrão de vida das populações, especialmente as mais carentes. Entre essas medidas, destacam-se as de saneamento básico, como o tratamento da água; o uso exclusivo de água filtrada ou fervida para beber; a proteção de poços e de cisternas contra a contaminação por moscas e outros animais; a construção de redes de esgoto e estações de tratamento de esgoto; os cuidados com o leite, que deve ser pasteurizado ou fervido; e a fiscalização em supermercados, açougues, matadouros e outros estabelecimentos que comercializam alimentos. Também são muito importantes as campanhas educativas de higiene pessoal.

Difteria (Crupe)

Causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, o bacilo diftérico. Sua transmissão se faz por contato com secreções do nariz e de garganta da pessoa infectada, ou gotículas de saliva eliminadas pelo doente.

Os sintomas da doença são dor de garganta, febre, perda de apetite e, um dado importante para o diagnóstico, o aparecimento de uma membrana branco-amarelada constituída por células mortas, pus e bactérias na garganta do doente. O tratamento é feito com o soro antidiftérico e antibióticos. A complicação mais grave é a obstrução da laringe, impedindo a respiração e causando a morte por asfixia.

A profilaxia é feita com a vacina antidiftérica que, geralmente, é aplicada associada à antitetânica (contra o tétano) e à antipertussis (contra a coqueluche).