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segunda-feira, 11 de abril de 2022

O cariótipo e a evolução humana

A comparação entre o DNA humano e o do chimpanzé aponta uma origem evolutiva a partir de um ancestral comum. A separação deve ter ocorrido entre 6 ou 5 milhões de anos atrás.

As semelhanças aparecem também nos cromossomos quando estes são tratados com corantes que produzem bandas escuras nas regiões ricas em adenina e timina (nucleotídeos que fazem parte do DNA). O padrão de bandas é típico de cada cromossomo e permite que este seja identificado.

No entanto, análises do cariótipo mostram que o ser humano tem 46 cromossomos (23 pares), e os grandes símios (gorila, orangotango, chimpanzé) têm 48 (24 pares). Como explicar o par de cromossomos a menos de nossa espécie?

Os cromossomos 2A e 2B do chimpanzé são semelhantes às duas metades do cromossomo humano 2, que pode ter surgido da fusão entre dois cromossomos do ancestral de chimpanzés e humanos, o que explicaria o par de cromossomos a menos nos humanos.

Análises genéticas confirmam a hipótese de fusão, mostrando que no meio do nosso cromossomo 2 há regiões de DNA que correspondem ao centrômero do cromossomo número 2B do chimpanzé, inativado no cromossomo humano. As análises mostram ainda que no meio do cromossomo 2, há regiões que correspondem aos telômeros dos cromossomos do chimpanzé.

Fontes de pesquisa: Hillier, L. W. et al. Generation and annotation of the DNA sequences of human chromosomes 2 and 4. Nature, vol. 434, p. 724-31, 2005; Yunis, J. J.; Prakash, O. The origin of man: a chromosomal pictorial legacy. Science, vol. 215, p. 1 525-30, 1982.

A divisão celular e os telômeros

Na ponta dos cromossomos há pequenos fragmentos de proteína e material genético chamados telômeros. Esse material genético é formado por uma sequência específica de nucleotídeos (TTAGGG, nos vertebrados), repetida muitas vezes.

Os telômeros protegem o cromossomo contra danos e permitem que a duplicação do DNA ocorra corretamente. Cada vez que uma célula se divide, os telômeros tornam-se ligeiramente mais curtos. Nas células germinativas, que originam gametas, e em algumas outras células do corpo que se dividem rapidamente, como as células-tronco, uma enzima, a telomerase, reconstitui as partes que vão sendo perdidas. Na maioria das células adultas, porém, a enzima está inativa e, caso os telômeros se percam totalmente, a célula perde a capacidade de divisão e pode morrer. Por isso, supõe-se que a diminuição dos telômeros possa estar relacionada com o número máximo de divisões que uma célula pode sofrer e com sua longevidade.

A telomerase está presente também na maioria das células cancerosas, que não morrem e passam a crescer de forma descontrolada. Assim, o estudo dos telômeros pode contribuir para o tratamento do câncer e para problemas derivados do envelhecimento do corpo.

Fontes de pesquisa: CANO, M. I. N. A vida nas “pontas” dos cromossomos. Ciência Hoje, Rio de Janeiro, v. 39, n. 229, p. 16-23, ago. 2006.

SINCLAIR, D. A.; GUARENTE, L. Desvendando os segredos dos genes da longevidade. Scientific American Brasil, ano 4, n. 47, p. 40-7, abr. 2006

Hermafroditismo na espécie humana

 Indivíduos hermafroditas são muito raros na espécie humana.

Apresentam testículos e ovários separados ou uma gônada mista (ovoteste). No pseudo-hermafroditismo, o indivíduo apresenta gônadas de um sexo, mas órgãos genitais ambíguos ou do sexo oposto. No pseudo-hermafroditismo feminino, a glândula suprarrenal do embrião feminino produz hormônios masculinos, talvez por causas genéticas. O indivíduo passa a apresentar ovários e órgãos genitais ambíguos. Há, por exemplo, desenvolvimento maior do clitóris, que pode ser confundido com um pênis. No caso masculino, o indivíduo possui testículos dentro do abdome e uma vagina fechada no fundo, não apresentando útero nem ovário.

O problema pode ser genético, provocando falhas nos receptores das células que respondem aos hormônios sexuais. Em certos casos, cirurgias ou tratamentos hormonais podem corrigir as malformações dos órgãos genitais.

Fonte: Biologia Hoje. 

Contracepção de emergência

Depois de uma relação sexual em que não se usou nenhum método anticoncepcional, mas não se deseja engravidar, deve-se consultar o médico o quanto antes. Ele poderá indicar a chamada “pílula do dia seguinte”, que funciona como anticoncepcional de emergência.

Essa pílula pode ser utilizada até 72 horas depois de uma relação sexual sem proteção ou quando, durante a relação, ocorrer algum problema com o método anticoncepcional (ruptura da camisinha, por exemplo). Quanto menor o tempo decorrido desde a relação sexual, maior a eficácia.

Os comprimidos da pílula do dia seguinte contêm altas doses de hormônios semelhantes aos da pílula anticoncepcional, mas nem sempre ela dá resultado, além de poder causar efeitos colaterais (irregularidade no ciclo menstrual, dor de cabeça, tontura, náuseas e vômitos) e não ser eficaz se o embrião já estiver implantado no útero.

Por isso, não pode ser usada como método regular de anticoncepção, em substituição a outros métodos (também porque ela perde a eficácia com o uso regular). Além disso, deve sempre ser receitada por ginecologista, que vai orientar o seu uso e observar os possíveis efeitos colaterais.

Outro inconveniente para algumas pessoas é que, por julgarem que o óvulo fecundado já representa um indivíduo, elas consideram que essa pílula provoca um aborto. Para a Medicina, entretanto, o aborto só ocorre a partir do momento em que o embrião se fixa no útero, quando, então, começa a gravidez.

Fonte: Biologia Hoje.

Celulite

Esse é o nome popular para uma alteração do tecido adiposo que afeta principalmente a mulher e que aparece nas regiões em que há mais gordura acumulada, como abdome, quadril, coxas e nádegas; daí o seu nome oficial: lipodistrofia ginoide (do grego, gyné = mulher). 

O que ocorre é aumento do volume das células adiposas e compressão das veias e dos vasos linfáticos, que drenam o excesso de líquido proveniente do sangue. Com isso, a circulação fica prejudicada e forma-se um edema (inchaço) no local. 

As fibras que compõem o tecido conjuntivo da derme são repuxadas e aparecem irregularidades na pele, que fica com aspecto semelhante ao de uma casca de laranja. 

Além dos fatores hereditários, o sedentarismo, a obesidade e o consumo de álcool ou cigarro favorecem o aparecimento da celulite. Manter o peso sob controle, praticar atividades físicas, ter uma alimentação saudável, rica em legumes, verduras e frutas e beber bastante líquido podem ajudar a prevenir o problema. 

É interessante comentar que somente o médico pode tratar a celulite e que muitos produtos anunciados nos meios de comunicação não funcionam.