sábado, 27 de agosto de 2016

Mais uma farsa de Veja e dos vazadores da Lava Jato

Foto: Ricardo Stuckert. Lula é o maior líder popular do Brasil, e a Veja não suporta essa realidade.
Nota da assessoria do Lula sobre a revista Veja de 27 de agosto: 

1) O ex-presidente Lula não comenta vazamentos ilegais, de supostas delações, no âmbito de um processo que se vale sistematicamente da coerção de investigados, da negociação de privilégios com criminosos, do direcionamento parcial e político-partidário dos procedimentos, bem como de abusos e violências que já foram denunciados ao Supremo Tribunal Federal, ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Corte Internacional de Direitos Humanos da ONU. Lula e sua defesa atuam para que a Justiça prevaleça, respeitando o devido processo legal, o estado de direito democrático e as garantias de todos os cidadãos..

2) Os operadores da Lava Jato sabem que o ex-presidente Lula jamais ocultou ou manteve patrimônio em nome de terceiros. Que Lula não recebeu benefícios diretos, indiretos ou ilícitos por qualquer meio. Sabem que Lula não é dono de aparamento no Guarujá nem de sítio em Atibaia. Sabem que suas palestras foram contratadas dentro da lei, sempre pelos mesmos valores, por empresas do Brasil e de outros países, dentre as quais a INFOGLOBO, da família Marinho, que faz sistemática campanha de difamação de Lula. Os esclarecimentos sobre esses temas são de conhecimento público e estão nos seguintes documentos divulgados pela assessoria do ex-presidente:




3) Os operadores da Lava Jato sabem que não existe qualquer envolvimento do ex-presidente Lula com os desvios investigados na Petrobrás. Por não terem obtido nenhuma prova para sustentar suas ilações maliciosas e falsas hipóteses, após dois anos de investigações, tratam de manter o assunto na mídia por meios ilegais e repugnantes, em cumplicidade com as forças políticas adversárias de Lula e do PT, e com seus acólitos na imprensa, como é o caso notório da revista Veja.

No link a seguir, a nota dos advogados em repúdio a mais uma farsa de Veja e da Lava Jato:

sábado, 20 de agosto de 2016

Brasil vence Alemanha e conquista primeiro ouro olímpico no futebol

A seleção brasileira de futebol é campeã olímpica dos Jogos Rio 2016. O ouro olímpico foi definido nos pênaltis, após o empate de 1 a 1. Na quinta bola chutada pela Alemanha, o goleiro Weverton defendeu, garantindo o ouro para o Brasil.

O placar do jogo não mudou nos dois tempos da prorrogação, após os 90 minutos com os dois times empatados. O Brasil abriu o placar com o gol de Neymar, aos 26 minutos de jogo, em cobrança de falta. Em comemoração, Neymar repetiu o gesto de imitar um raio do jamaicano tricampeão olímpico de atletismo, Usain Bolt, presente no estádio. Bolt vibrou com o gol de Neymar.

Meyer, da Alemanha empatou, aos 13 minutos do segundo tempo. O gol de ocorreu após uma falha da defesa brasileira, numa bola rebatida. A partir daí, as duas equipes fizeram um jogo tenso com várias chances de gols perdidas pelas duas seleções.

História de uma conquista

Foram necessários 64 anos, mas a seleção brasileira enfim chega ao ouro nos Jogos Olímpicos, numa conquista que serve de redenção para uma geração de jogadores que, pelo menos, desde a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, vinha sendo apontada como desprovida de grandes craques, assim como a responsável pelo rebaixamento da seleção brasileira do papel de protagonista para o de coadjuvante no futebol mundial.

A seleção brasileira conquista ouro olímpico com vitória sobre a Alemanha no Maracanã. Neymar abriu o placar com um gol de falta no primeiro tempo da partidaDivulgação/Confederação Brasileira de Futebol

Quis também o destino que o ouro fosse proporcionado por uma vitória sobre a Alemanha, país que derrotou o Brasil por 7 x 1 na semifinal do Mundial de 2014, no Brasil. O feito de agora passou longe de ser encarado pelos brasileiros como uma revanche para o fiasco de dois anos atrás. Um dos motivos é o de a seleção olímpica alemã ter em seu elenco somente um jogador que estava presente no Mundial, o zagueiro reserva Mathias Gunter. Mas esse foi um ingrediente a mais para incrementar o sabor de ganhar em casa um título há muito sonhado.

A perseguição ao ouro olímpico, último grande título internacional que faltava ao Brasil no futebol, ganhou contornos de obsessão nas últimas décadas, sentimento que acabou catalisado nestes Jogos Olímpicos, pelo fato do elenco jogar em casa, na primeira Olimpíada na América do Sul.

História começa em Helsinque

O Brasil estreou nos Jogos Olímpicos em 1952, em Helsinki, quando ficou em quinto lugar, após uma derrota nas quartas de final justamente para a Alemanha. Desde então foram conquistados dois bronzes, em Atlanta (1996) e Pequim (2008). As pratas foram fruto de três derrotas em finais: em Los Angeles para a França, em 1984; em Seul para a União Soviética, em 1988; e em Londres para o México, em 2012.
Foram necessárias portanto quatro finais para que os jogadores brasileiros finalmente pendurassem o ouro no pescoço, numa competição que ao longo dos anos ficou marcada pela zebra, tendo como medalhistas no passado países sem nenhuma chance em Copas do Mundo, como Bulgária, Suíça, Japão e Camarões.

O fenômeno se deve à restrição imposta pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), que permitem a participação nos Jogos somente de atletas abaixo dos 23 anos, com três exceções para cada país. A medida serve para amenizar o protagonismo midiático do futebol sobre outros esportes e equilibrar o torneio, ao contribuir para a ausência de grandes craques.

Uma dessas zebras foi a marcante derrota dos brasileiros para a Nigéria na semifinal de 1996, em Atlanta, quando a seleção era comandada por Zagalo e tinha os astros Bebeto, Ronaldo e Rivaldo na dianteira. O Brasil marcou um gol de falta logo nos primeiros dois minutos e terminou o primeiro tempo vencendo por 3 x 1. Mas a equipe derreteu na segunda etapa, cedendo o empate no tempo regulamentar. Na prorrogação, tomou o gol de ouro. Na disputa pelo bronze, o time se recuperou, goleando Portugal por 5 x 0.

Primeria medalha

A primeira medalha pode também ser considerada uma zebra, pois surgiu quando ninguém esperava. A prata em Los Angeles (1984) foi conquistada por um time formado sem o apoio da CBF, com um elenco composto por jogadores quase que exclusivamente do clube gaúcho Internacional, incluindo Gilmar Rinaldi e Dunga, e comandado por um técnico novato, Jair Picerni. Acabaram perdendo a final por 2 x 0 para a França.

Nos Jogos seguintes, em Seul (1988), a história era outra. Treinado pelo experiente Carlos Alberto Silva, o elenco contava com astros que viriam a ser tetracampeões mundiais com a amarelinha, entre eles o goleiro Taffarel e os atacantes Bebeto e Romário. Mais uma decepção na final, com derrota de 2 x 1 para a União Soviética.

Eliminado na primeira fase em Roma (1960), Tóquio (1964) e Cidade do México (1968), o Brasil sequer se classificou para Barcelona (1992). Mas seria em Sidney (2000) que a canarinha protagonizaria talvez a maior decepção de sua trajetória olímpica, ao ser eliminada novamente por um gol de ouro, dessa vez por Camarões, na quarta de final. O fiasco custou o cargo de Vanderlei Luxemburgo como técnico, e a seleção voltaria a ficar fora de uma Olimpíada na edição seguinte, em Atenas (2004).

Jogos de Pequim e Londres

Em Pequim (2008), sob o comando de Dunga e tendo Ronaldinho Gaúcho como capitão, a seleção brasileira voltaria ao pódio, conquistando o bronze sobre a Bélgica após ter perdido a semifinal para a bicampeã olímpica Argentina. Mas seria em Londres (2012) que uma nova decepção marcaria o Brasil: depois de chegar sem dificuldades à final, o time perdeu para o México por 2 x 1.

Para chegar ao tão sonhado ouro, Neymar e companhia superaram toda a carga pesada de decepções passadas da seleção em Olimpíada e em torneios internacionais disputados no Brasil. Ao fim, eles conseguiram se recuperar de um início de campanha apático e deram finalmente ao torcedor o direito gritar “É campeão” a plenos pulmões em casa, no Maracanã.

Felipe Pontes e Kelly Oliveira - Repórteres da Agência Brasil.
Edição: Aécio Amado

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Alison e Bruno Schmidt vencem italianos e conquistam quinto ouro para o Brasil

Alison e Bruno vencem italianos por 2 sets a 0. Reuters/Adrees Latif/Direitos Reservados.
Em um jogo impecável, a dupla de vôlei de praia Alison e Bruno Schmidt conquistou hoje (19) a quinta medalha de ouro para o Brasil na Rio 2016. Sem dar chances para os italianos Nicolai e Lupo, os brasileiros venceram por 2 sets a 0 em 45 minutos de jogo.

Sob chuva, os italianos começaram um pouco melhor a partida, chegando a abrir quatro pontos de vantagem. Com bloqueios espetaculares de Alison e defesas incríveis de Bruno, os brasileiros viraram o jogo e fecharam o primeiro set por 21 a 19.

Mais equilibrado, o segundo set começou a ser decido depois do 14º ponto, quando os brasileiros empataram, passaram a frente e fecharam o jogo por 21 a 17.

Com a medalha do vôlei de praia, o Brasil sobe quatro posições no quadro geral de medalhas, ficando na 13ª colocação, com cinco ouros, cinco pratas e cinco bronzes, em um total de quinze medalhas. 

Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil.
Edição: Fábio Massalli.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Rio 2016 não existiria se não fosse por mim, lembra Lula

Ex-presidente participou de ato organizado pela CUT-SP nesta segunda-feira (15), por ocasião dos 10 anos da Lei Maria da Penha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia participaram nesta segunda (15), em Santo André (ABC Paulista), do Encontro das Mulheres e Militantes com Lula, para tratar sobre os avanços e desafios da Lei Maria da Penha, que completou 10 anos na última semana.

O encontro foi uma iniciativa da CUT-SP, por meio de sua Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora, e marcou o início da comemoração aos 30 anos da criação da Comissão da Mulher Trabalhadora na CUT.

Dona Marisa recebeu homenagem e apoio de militantes e sindicalistas, que se solidarizaram com a perseguição que ela vem sofrendo junto com a família.

Em seu discurso, Lula ressaltou a importância da lei para a luta das mulheres. “É um marco de como as mulheres têm que ser tratadas, aqui e em qualquer lugar do mundo”.

“Acabou o tempo, que deveria fazer parte da pré-história, em que a mulher era tratada como objeto de cama e mesa. A mulher não pode ser tratada como objeto. A mulher quer ter protagonismo dentro e fora de casa”, afirmou.

“Por isso, tenho orgulho de ter tido como sucessora a primeira mulher a presidir o Brasil. Que foi barbaramente torturada e chegou à Presidência sem ódio. Lamento profundamente que a elite brasileira não tenha dado conta de conviver com a diversidade.”

Lula falou ainda sobre quanto falta ser conquistado. “Sabemos que muitas vezes a mulher agredida tem vergonha de denunciar. E a gente tem que ter orgulho de ter coragem. Coragem de não permitir que um homem bata em uma mulher”.

Independência da mulher

Lula recordou do tempo em que procurava emprego no ABC e falou sobre a importância, para todo mundo, de se ter uma profissão, mas especialmente para as mulheres conquistarem sua independência.

“Porque a gente não pode admitir que uma mulher viva com um homem porque ela tem que ter um prato de feijão em casa. Não é normal e não é justo. Ela tem que ter um parceiro se ela quiser ter, não obrigada pelas condições econômicas, e sim porque ela quer”, afirmou.

Ele ainda recordou a história de sua mãe, Dona Lindu, que saiu de casa com oito filhos pequenos para não ter que conviver com um marido violento.

“As mulheres tem que estudar, se formar, ser médicas, enfermeiras, engenheiras, sociólogas, psicólogas. Para fazerem a opção que quiserem, na hora que quiserem e não depender do preconceito da sociedade ou da brutalidade de um companheiro. É esse mundo que estamos precisando construir. Por isso a educação e a formação é importante na nossa vida”.

Coração de mãe

O ex-presidente disse que sempre considerou que a melhor forma de governar um país é governar como um coração de mãe. “Porque não tem nada mais justo, nada que reparta mais. Mesmo que ela tenha dez filhos, ela vai cuidar sempre daquele que mais precisa dela”.

Lula comparou o papel da mãe com o do Estado. “Tem que governar para quem precisa. O povo mais pobre, o trabalhador, o pequeno produtor. Aquele que foi mandado embora, que não conseguiu pagar o aluguel, que está preocupado em como criar seu filho. É por isso que fizemos a política de inclusão social que fizemos”, afirmou.

Lula 2018
Falando sobre a perseguição que tem sofrido, Lula afirmou que não irá fraquejar.

“Não é primeira vez que tentam me destruir. Me parece que o objetivo principal deles é criar qualquer impedimento legal para que o PT não volte a governar este país. Que eu não dispute mais uma eleição. Mas eu aprendi a não ter ódio e aprendi a vencer tendo paciência”, afirmou.

Sobre o processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, ele lamentou.

“Estamos vendo esse golpe, e sabemos que eles não cassaram apenas a Dilma. Cassaram o voto de vocês, pois quiseram chegar ao poder por um atalho, sem eleição”.

“Mas eles podem fazer o que quiserem. Inventar o que quiserem. Eu tenho o orgulho de ter conquistado o direito de andar de cabeça erguida, por causa de vocês”, afirmou. “Eles que se preparem, quanto mais mentiras contarem ao meu respeito, mais eu vou crescer. E em 2018, nós vamos voltar a governar esse país através do voto democrático”, vaticinou.

E disse, em nome do povo brasileiro: “Nós não nascemos para bater palmas para a elite, nós queremos ser aplaudidos também”.

Olimpíadas

Lula disse sobre o que sentiu ao ver a abertura das Olimpíadas: “Me senti como no filme “Esqueceram de Mim”. Mas me dei conta que não existiria Olimpíada no Brasil se não fosse por mim”.

A escolha do Rio como sede olímpica aconteceu em 2009 em Copenhague, durante o segundo mandato do ex-presidente.

“Nós derrotamos Madri, Tóquio e os Estados Unidos”, lembrou. “Quando o Obama e a Michelle chegaram a Copenhague, alguns acharam que iríamos perder; mas eu tinha certeza que a gente ia ganhar”.

E ironizou: “Eu não fui na abertura das Olimpíadas… Mas o Obama também não foi”.

Ele contou da emoção de ter conquistado que os Jogos Olímpicos. “Quando aquele gringo falou ‘ Rio de Janeiro’ eu poderia morrer ali, porque tinha realizado o sonho de trazer a Olimpíada para o Brasil”.

“Nós acabamos com o complexo de vira-lata desse país. De que tudo lá de fora presta, e nada nosso presta. Em 500 anos de história, o Brasil não foi mostrado ao mundo como foi nos últimos 30 dias. Esse país aprendeu a gostar de si próprio”.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do site lula.com.br

'Para nós, a periferia é um país', diz poeta Sérgio Vaz

Poeta fundador da Cooperifa recebe hoje (16) o título de Cidadão Paulistano, dois meses depois de lançar seu oitavo livro. “Nossa arte vem das ruas que os anjos não frequentam”

por Sarah Fernandes, da RBA

'Nossa arte vem da dor. Ela não fala dos negros, ela fala com os negros. Não fala dos pobres, fala com eles'

São Paulo – O poeta Sérgio Vaz, fundador do Sarau da Cooperifa, vanguarda da produção cultural periférica de São Paulo, recebe hoje (16) o título de Cidadão Paulistano, mais alta honraria do município. O artista lançou em junho, pela Editora Global, o livro Flores de Alvenaria, onde fala sobre tudo o que acontece ao seu redor:“Eu sou o oprimido que vive na periferia e que acompanha de perto o racismo e a fome, seria até um pecado eu não escrever sobre isso. É hora de a caça contar um pouco da história”, diz.

Sérgio avalia que os movimentos de cultura da periferia estão vivendo hoje sua “bossa nova”: “A grande novidade é que a gente começou a consumir o que a gente produz e não a levar nossa produção para o outro lado da cidade. O que estamos fazendo agora é dando nosso charme, nossa visão sobre as coisas”.

A entrega do título será no Bar do Zé Batidão, onde toda quarta-feira há 12 anos ocorre o Sarau da Cooperifa, no M’Boi Mirim, extremo sul de São Paulo. “Nossa arte sangra, sua, chora. Quando alguém escreve que esta tomando um tiro você escuta o barulho da bala, sente o sangue escorrer pela página”, diz. “A nossa arte vem da rua, das ruas que os anjos não frequentam. É lá que se escreve. Nossa arte vem da dor. Ela não fala dos negros, ela fala pelos negros, com os negros. Não fala dos pobres, fala com eles e por eles, junto.”

Para o poeta, a periferia não é apenas um lugar, mas um sentimento e uma identidade. Nesta entrevista, ele comenta as políticas públicas de incentivo para os grupos culturais das bordas da cidade: “Seguimos uma nós filosofia de vida que é: a gente quer ser feliz também. Antes a gente só queria, mas agora estamos sonhando com as mãos”, diz, lamentando a cruel realidade. “Estamos em um momento que precisamos começar a nos reconhecer como humano. Morrer 12 jovens em um bairro de periferia é estatística. Nós precisamos chorar essas 12 mortes.”

Qual a temática de Flores de Alvenaria?

É o dia a dia. Sou oprimido, como cidadão que vive na periferia, que acompanha de perto o racismo e a fome, seria até um pecado eu não escrever sobre isso. Sou um poeta que escreve sobre o que acontece ao meu redor. Gostaria de escrever sobre a Via Láctea, mas no momento estou precisando escrever sobre o racismo, sobre empoderamento das mulheres negras, sobre os saraus, o feminismo, a luta diária para o trabalho. É hora da caça contar um pouco da história.

Outras obras publicadas

1988 - Subindo a ladeira mora a noite (independente)

1991 - A margem do vento(independente)

1994 - Pensamentos vadios(independente)

2005 - A poesia dos deuses inferiores (independente)

2007 - Colecionador de Pedras(Global)

2008 - Cooperifa - Antropofagia Periférica (independente)

2011 - Literatura, pão e poesia(Global)

Depois de tantos trabalhos nessa temática, como você definira a periferia?

É um lugar para trabalhadores e trabalhadoras viverem. Mas não é fácil viver na periferia. Não é indigno, mas é difícil ser da periferia, lutar contra tudo, acordar de manhã pegar ônibus e trem lotado para ganhar salário mínimo, ficar três dias na fila para arrumar vaga na creche e não conseguir, frequentar escola pública ruim, não conseguir fazer um exame médico em menos de três meses. Isso dificulta muito, mas ainda assim é um povo que quer ser feliz.

Esse livro tem alguma característica específica se comparado aos seus outros?

Eu vejo pessoas necessitando sobreviver e querendo sobreviver dignamente e eu quero escrever sobre isso. Nesse livro quis falar de coisas positivas da periferia, mas denunciando os problemas latentes. Eu não faço arte pela arte, mas eu queria também que fosse uma coisa otimista, como "milagres acontecem quando a gente vai à luta" (em referência a uma de suas frases mais famosas). É difícil, mas a gente tem que ir à luta e não aceitar essa condição ou pelo menos saber por que estamos nela, sem achar que é tudo culpa de Deus.

O que significa para você o título de cidadão paulistano que vai receber hoje? 

Essa é uma iniciativa do vereador Nabil Bonduki (PT), que quis me fazer essa homenagem e eu aceitei. Nunca fiz nada para ganhar prêmio, mas como veio não acho ruim. Vejo tantas pessoas sendo homenageadas sem fazer nada, sem contribuir para alguma coisa. Recebi a notícia com muita alegria, mas sem histeria. Na verdade, esse prêmio é de todos, até por isso que ele será entregue na Cooperifa. Ele pode significar coisas que a gente pode fazer no futuro, pode abrir portas, pode ajudar a Cooperifa e a periferia. Por isso sou muito grato.

Neste mês foi publicado o edital de Fomento à Periferia, um projeto de lei proposto por coletivos culturais das periferias, que foi sancionado pelo prefeito Fernando Haddad. Esse tipo de ação tem potencial para fortalecer a cultura e manter esses grupos culturais produtivos?
'A gente quer ser feliz também. Antes a gente só queria, mas agora estamos sonhando com as mãos'.
Eu acho extremamente necessário, uma grande vitória das pessoas que lutaram por isso, até porque é função do Estado gerir a cultura. Vai ajudar, assim como o VAI (Programa de Valorização de Iniciativas Culturais) ajudou a democratizar um pouco a cultura na periferia. A lei Rouanet, por exemplo, é democrática só até a página dois, porque você pode até fazer um projeto, pode captar, mas ninguém quer investir porque você é da periferia. A lei de fomento vem para preencher esse vazio, sem preconceito. Quem são os maiores arrecadadores? Os grandes produtores. E quando vai ser a nossa vez? A Lei de Fomento à Periferia resolve essas coisas. Essas propostas afirmativas têm que ser implantadas.

A lei de fomento prevê financiamento de até 24 meses para os coletivos. Qual a efetividade ds editais mais curtos, como o VAI ou o Proac, para as demandas da periferia?

O VAI é muito mais democrático, porque ele circula mais e a grana é menor, então não interessa a muita gente. Ajudou a dar um pouco mais voz para a periferia. Ele atrai as pequenas iniciativas, que incorpora as médias e que chega nas grandes. Eu não sou contra a lei Rouanet, que é para rico ou classe média. Eu acho que tem que ter pra todos, inclusive para a gente na periferia, mas será que as outras classes sociais entendem dessa forma? Eu entendo assim, afinal como eu sofro preconceito eu não reproduzo. Eu acho que essas leis são necessárias neste momento e dou parabéns para o Haddad por ter sancionado, até porque é impopular neste país reacionário que vivemos hoje. Qualquer medida que seja para o povo é impopular.

Essa visão preconceituosa ganhou força mesmo na área da cultura, onde a periferia tem se destacado tanto?

Agora está mais forte ainda. Nós vemos o crescimento do fascismo. Há uns dois ou três anos eles tinham vergonha, mas agora ele têm orgulho de ser racistas. Nós temos líderes espirituais pregando o racismo e a homofobia.

Que momento vive hoje a produção cultural da periferia?

Estamos vivendo nossa bossa-nova, nossa tropicália, nossa primavera de Praga. A cultura na periferia sempre existiu, mas a partir do ano 2000 surgiu como um movimento. Sempre se fez cultura, mas antes era de uma forma isolada. É quando vem o Hip Hop que a periferia dá um grito de independência: “Eu posso! Eu sou da periferia, e daí?” É aí que vem o orgulho de ser negro, de ser da periferia e o respeito por quem mora na favela. Por isso começamos a fazer cultura para nós. Essa é a grande diferença hoje: antes nós fazíamos cultura para nos apresentar para a classe média e hoje fazemos para nós. Estamos fazendo e consumindo cultura.

Sempre existiu público para essa arte?

Sempre existiu. Quando você começa a assumir a periferia você se assume como patriota também, como alguém que respeita seu país, porque, para nós, a periferia é um país. Agora eu vou fazer poesia para o meu vizinho. As pessoas começaram a entender que nós precisamos formar leitores e público. A Cooperifa tem o Cinema na Laje, Cine Becos, Cine Quebrada, Cine Botecos, tem teatros para fazer na periferia. A grande novidade é que a gente começou a consumir o que a gente produz e não a levar nossa produção para o outro lado da cidade.

Nesse processo teve alguma mudança na temática dessas obras culturais?

Fortaleceu a antropofagia periférica: pegamos toda essa cultura que vem do centro, mastigamos e entregamos de forma periférica. O que estamos fazendo agora é dando nosso charme, nossa visão sobre as coisas. É o nosso momentos. Queremos mostrar a poesia negra como ela é, a literatura periférica como ela é. Nosso teatro se comunica de outra forma, que não é nem melhor nem pior, é a nossa forma. A literatura periférica é melhor que a universal? Não, ela é nossa ela apenas nos representa.

A partir do momento que há essa identificação, é possível atrair um público ainda maior?

Sim, porque as pessoas se reconhecem na sua arte. Elas começam a entender que o teatrão não vai chegar na periferia, que o Paulo Coelho não vai dar palestra na escola pública. O que temos é isso aí: não veio goela abaixo, feito pela Globo ou pela revista. É o cara que surge daqui. A pessoa vai ter orgulho de dizer: eu conheço ele, não pela televisão, mas pessoalmente. Antigamente, a gente ia lá, fazia sucesso e depois era reconhecido na comunidade.
'Com Dilma tinha diálogo com a periferia, já neste governo interino é tudo de cima para baixo'.

Os artistas têm permanecido mais na periferia?

Acho que as pessoas mais ligadas à cultura sim. A periferia é uma identidade, não é um lugar, é um sentimento. É difícil explicar. Entendo que algumas pessoas tenham que sair, porque não é tão fácil viajar todo dia, mas o sentimento permanece, Eu sou dá época que queria mudar da periferia, agora quero mudar a periferia. Não é um lugar maldito do qual temos que sair. É um lugar que infelizmente, por conta do Estado, temos alguns problemas, por outro lado ainda falamos com o vizinho, jogamos bola, fazemos saraus.

Você diz que a produção artística da periferia não é nem melhor nem pior que a do centro. Como você a define?

O grande barato do que estamos fazendo é não ser a arte pela arte. É uma arte solidária e cidadã. Quando você pega a Ivete Sangalo, ela faz uma música de manhã e à tarde ela já está sendo usada para vender miojo, macarrão, shampoo. Já o que a gente faz dói. Nossa arte sangra, sua, chora. Quando alguém escreve que está tomando um tiro você escuta o barulho da bala, sente o sangue escorrer pela página. Quando a pessoa faz um teatro ela está invocando seus ancestrais naquele momento, porque naquele momento ela está dando voz a todo um passado e a toda uma trajetória de que foi difícil chegar ali. A gente coloca força, para que seja escutado. Quando eu faço uma poesia, quando alguém faz peça de teatro não esta falando só por si, mas por muita gente. Essa arte é diferente da do Paulo Coelho, que pode usufruir das benesses do prazer enquanto a gente ainda está lutando para ter o direito a ser cidadão, a participar da civilização, a ser reconhecido como ser humano.

Ouvi de um produtor cultural que os grandes filósofos da atualidade estão nas periferias...

Milton Santos também disse que a revolução iria vir da periferia. Estou começando a acreditar. Nós temos os nossos pensadores, os nossos filósofos. Eu cresci estudando em um lugar onde a maioria dos professores era de classe média. Hoje os professores que estão aqui são daqui, moram no mesmo bairro, isso ajuda a gente a pensar, além dos artistas que ficam e de alguns políticos que surgem dos movimentos populares, por exemplo. Começamos a criar uma casta pensando na periferia, um pensamento periférico, um orgulho periférico, uma forma de pensar. Quando você lê (Karl) Marx, tem que contextualizar para a periferia. Quando lê Charles Baudelaire ele tem que se parecer com o Mano Brown. É isso que a gente está fazendo. Seguimos uma filosofia de vida que é: a gente quer ser feliz também. Antes a gente só queria, mas agora estamos sonhando com as mãos, estamos construindo. Eu acho que esse é o recado.

A produção cultural tem também o potencial de ser uma alternativa de renda?

Sim, principalmente com a economia solidária. Quando você faz um evento tem que pagar os artistas, tem que pagar produção, no entorno se montam as barracas onde se vendem bebidas... Mexe com toda a infraestrutura e altera a paisagem, com um perfil de resistência. É o empoderamento, palavra de ordem agora. Acho que a cultura serve para a gente não enlouquecer, para sabermos de onde viemos e para onde vamos. Tanto que a primeira coisa que Temer fez foi acabar com o Ministério da Cultura, isso é muito representativo. Por que nos é negada a cultura? Porque cultura nos faz pensar, nos faz sentir humano. A cultura tem um poder de humanizar as pessoas. Quanto menos cultura, mais bruto a gente é. Então, não é só pela econômica solidária, a periferia está ganhando essa humanização que a cultura leva. Algumas pessoas que tinham parado de estudar voltaram por causa dos saraus, pessoas que tinham trancado a faculdade e hoje fazem teses falando sobre os saraus.

Quem é o artista da periferia?

O que a gente faz é para que o pobre não seja cordial. A gente quer que a pessoa saia fora da caixa, que seja mais combativa. Tem gente que me pergunta: mas vocês tiram as pessoas das ruas e das drogas? Esse não é o propósito, eu não sou assistente social. A gente faz cultura e arte é rebeldia. Se não é rebelde não é arte, se não transgride não é arte. Por isso que as pessoas gostam, porque eu gostaria de estar falando o que aquele artista está. Esse é o poder do artista. Ele é o cara que está com uma lanterna na mão. Por isso, eu acho que a arte não pode vir da mão de quem escraviza. A nossa arte vem da rua, das ruas que os anjos não frequentam. É lá que se escreve. Nossa arte vem da dor. Ela não fala dos negros, ela fala pelos negros, com os negros. Não fala dos pobres, fala com eles e por eles, junto.

É uma arte de denúncia?

Também, mas só fazer arte na periferia já é algo subversivo. O jovem que faz um funk tinha tudo para ser outra coisa e ele ainda faz música. Ele está subvertendo. As pessoas nos querem presos, algemados, implorando cesta básica ou só trabalhando. Fazer arte neste país já é um ato político. E nós fazemos arte pela literatura, que é sagrado, o pão do privilégio. E nós, arrogantemente, usamos a literatura para construir pessoas que constroem poemas. Eu não preciso falar que é uma denúncia. Quando um negro escreve um poema já é uma denúncia, quando uma mulher negra está em uma peça de teatro já é uma denúncia. A nossa pele, o nosso olhar as vezes baixo, as nossas manchas no corpo, as cicatrizes, já são denúncias.

Há resistência ao golpe na periferia?

Muita. Fizemos várias passeatas. A periferia sempre se manifesta, o problema é que não chega na grande mídia. Quando tocam fogo em um ônibus porque um jovem foi assassinado pelas costas é uma manifestação, mas o que chega lá é que são bárbaros, mas na Paulista são todos inteligentes. Fizemos vários eventos 'Fora, Temer', 'Não Vai Ter Golpe', mas onde apareceu? Três pessoas fecharam a Paulista pelo 'Fora, Dilma' e deu em todos os lugares. Eu encontrei um sujeito esses dias que me disse: “Precisamos fazer palestras porque o povo da periferia esta alienado com golpe”. Eu falei: Ora, por que você não faz isso na classe média? É de lá que veio o golpe. Olha como é o preconceito. Não tem preto na Lava Jato, não tem pobre na Petrobras e ainda é culpa do pobre que é alienado.

Você acha que pode cobrar da população uma posição política estudando em uma escola como a que o Alckmin nos dá, onde se rouba a merenda? E as pessoas ainda ficam com raiva das crianças que ocuparam as escolas.
'Somos um povo racista. Nós da periferia sempre denunciamos isso, agora estamos vendo abertamente'.
Qual a perspectiva para a cultura na periferia com governo Temer?

Sobreviveremos, porque a gente nunca viveu com muito. Sempre nos autogerimos, por isso, talvez sejamos até arrogantes. Acho que quem deve estar mais preocupado são as pessoas ricas. Com Dilma e Lula, isso tinha melhorado muito, estávamos no caminho. Eu assisti a abertura das Olimpíadas e ela ainda tem a cara do governo de esquerda. Provavelmente se fosse do Temer não teria nem brasileiros lá. Trariam o Miami Heat para nos representar.

Nós vamos continuar lutando porque nossa vida é lutar desde sempre. Está mais difícil, mas sempre esteve difícil. Quando a gente sai de casa a gente sai para virar o jogo, porque a gente já sai sempre perdendo. Por isso, a gente precisa jogar melhor, correr mais, lutar mais, porque já começamos perdendo. O que eu quero dizer é que isso não altera muita coisa, porque a ditadura acabou para algumas pessoas, mas para nós ainda não. As pessoas reclamam até de registrar empregada doméstica. Nós sempre vivemos isso, somos solidários, sabemos como é, estamos preparados para a luta.

Com Dilma e Lula, as demandas da classe trabalhadora na cultura eram correspondidas?

Sempre existiram contradições, mas entendemos que com Dilma é uma coisa e com Temer é outra. Mesmo com a crítica você tinha diálogo com a periferia, com todos os defeitos. Com esse governo interino não tem diálogo nenhum, é tudo de cima para baixo. Acabaram com a Secretaria de Igualdade Racial, isso quer dizer muita coisa. Está entendendo o que estamos vivendo? É assustador. É absurdo. Você tem o (deputado) Marco Feliciano que vai defender o racismo baseado na Bíblia. Um cara que agora está sendo acusado de estupro. Você tem uma pessoa que vota a favor do impeachment em nome de Deus e da sua cidade e no dia seguinte vai presa. Em que país estamos vivendo? Somos republiquetas.

Estamos vivendo uma grande depressão, mas talvez seja um dos momentos mais importantes na história do país. Essa história que temos o melhor carnaval e o melhor futebol acabou. O Brasil empatou com o Iraque nas Olimpíadas... O Brasil precisa reconhecer o que somos e talvez daí comece a mudar. Somos um povo racista. Nós, da periferia, sempre denunciamos isso, agora estamos vendo as pessoas dizerem abertamente. O Estado quer controlar o corpo da mulher. Estão sendo aprovadas leis contra leis que avançam o mínimo. Está escancarando o quão reacionário somos. Mostramos que somos governados pela grande mídia, eles dizem o que pode e o que não pode. Caiu a máscara. Talvez a partir daí a gente comece a melhorar. É quando me reconheço escravo que luto pela minha liberdade. É quando me reconheço que começo a mudar.

Cresci ouvindo que o sistema é ruim, mas quem é esse sistema? Hoje está aí. São os iluminados tupiniquins: os donos dos jornais, da televisão, meia dúzia de pessoas. Agora sabemos que a elite não gosta de pobre e de negro. Agora a gente pode lutar. Jogaram-se as fichas. Eu vejo isso como positivo porque muito era velado.

E por que não conseguimos quebrar esse preconceito, sobretudo o de classes?

Durante muito tempo a gente fingia que fazia parte disso. No Rio de Janeiro o cara que mora na favela vai na mesma praia do rico e acha que aquilo é democrático, acha que está sendo aceito, mas não. Nós não estamos lutando na luta de classes, estamos sendo massacrados. Nós não temos armas para lutar. É como enfrentar o Mike Tyson e tentar ficar em cima da lona o máximo de tempo possível, apanhando, caindo, tentando dar um soco... Essa é nossa vida e quando a gente grita somos arrogantes.

Eu lembro do Bolsa Família e das pessoas falando que estavam sustentando pobres. Mas você que faz três refeições por dia não quer que a outra pessoa faça também? O Paulo Maluf nos roubou a vida inteira e isso não é um absurdo. Por que é absurdo que se repasse dinheiro para comer? De onde vem essa lógica? Eu aceito todo mundo da Lava Jato. Eu aceito R$ 23 milhões desviados pelo José Serra, mas e se fosse o Lula, o que você acha que estaria acontecendo agora? Aos amigos tudo, aos inimigos a lei. E mesmo aqui na periferia está cheio de coxinha, que eu chamo de “simpatizante”, porque não tem dinheiro para ser coxinha. É aquele que não vai ser convidado para a festa.

Neste caso, faltou formação política para a classe trabalhadora se identificar como tal?

Faltou comunicação, formação política... Conheço gente que pegou Prouni e é contra o programa. Conheço gente que comprou casa pelo Minha Casa, Minha Vida e está pedindo 'Fora, Dilma'. A revista Veja está em todas as escolas, em qualquer sala de espera está passando a Globo, você vai assistir um programa de esportes e falam da crise... É o grande irmão, todo dia e toda hora. Não sei onde nos perdemos, mas nos perdemos. Qualquer coisa que eu posto no Facebook me mandam para Cuba, me chamam de petralha. Como? Se eu não sou filiado a nenhum partido.

Esse preconceito se manifesta também contra a produção cultural da periferia?

Sim. O funk, por exemplo, não é mal visto pela música, mas porque é feita por negros. A música em si diz a mesma coisa que o sertanejo universitário, que é feito por brancos. Eu não sou do funk, mas respeito: alguém que não teve nada ainda quer cantar. E o funk não está enriquecendo ninguém além do cantor, porque ele mesmo faz a mídia e vende na quebrada dele e consegue sucesso, sem passar por nenhuma gravadora. Por que o rap foi perseguido? Porque tinha rádio comunitária, fazia sua própria roupa... O mundo foi feito para poucos. Existe um pensamento único e quem sai dele é pederasta, terrorista, bêbado, maconheiro. Porque o status quo diz que você deve assistir TV, ir ao cinema, ir ao shopping, comprar, fazer academia, ir ao barzinho, ler os mesmos livros. Aí você fala que não quer e te segregam, ou pior, te matam. Olha os nossos líderes mundiais: Nelson Mandela ficou 27 anos preso, Martin Luther King e Gandhi também. Mas sabe o que eu queria dizer?

O quê?
Eu acho que nos devíamos estar em busca de resgatar a humanidade de cada um. Estamos em um momento que precisamos começar a nos reconhecer como humano, a reconectar. Precisamos de gente que entenda a dor do outro, com empatia. Parece que a gente perdeu essa capacidade de ser humano e viramos um produto. Nós somos um produto... Aquela pessoa dormindo na calçada é uma estatística. Morrer 12 jovens em um bairro de periferia é estatística. Nós precisamos sofrer essas 12 mortes, chorar cada uma delas. A vida precisa voltar a ter valor. Nós precisamos se indignar.