sábado, 18 de fevereiro de 2017

Carta Capital: Temer trouxe desordem e regresso ao Brasil

Depois de mudar o lema do País para "Ordem e Progresso", Michel Temer produziu o oposto, segundo aponta capa da revista Carta Capital; a tal ponto que até o chefe das Forças Armadas, general Villas-Bôas, diz que o Brasil hoje está à deriva

247 - "Motins policiais, Exército nas ruas... o ajuste fiscal e a crise nos Estados promovem o arrocho, a pobreza e precipitam o caos". Essa é a chamada da revista CartaCapital desta semana, que afirma que o governo Michel Temer trouxe desordem e regresso ao Brasil.

"Não se sabe até quando as tropas serão capazes de segurar a bucha. O ajuste fiscal imposto pela União aos Estados contribui de forma decisiva para o arrocho de diversos setores", diz a reportagem. 

O texto lembro ainda que "o País soma mais de 12 milhões de desempregados e, nos últimos dois anos, fechou quase 3 milhões de empregos formais. A miséria prospera com a recessão. Até o fim do ano, o Brasil ganhará até 3,6 milhões de 'novos pobres', prevê um estudo divulgado pelo Banco Mundial".

Veja descobre a natureza corrupta do golpe e inicia seu desembarque

Um dos meios de comunicação que apoiaram o golpe contra a democracia brasileira, processo responsável por instalar Michel Temer no poder e arruinar a economia, a revista Veja começa a desembarcar; neste fim de semana, em sua capa, a publicação dos Civita compara Temer, Alexandre de Moraes e Eliseu Padilha aos três macaquinhos cego, surdo e mudo diante da corrupção e dos anseios éticos da população brasileira; como diz Veja, "eles não estão nem aí" nem para as aparências; o desembarque de Veja tem também outro motivo: como Temer é reprovado por 66,6% dos brasileiros, ele tem derrubado todos que se associaram a seu fiasco, como é o caso dos candidatos do PSDB à presidência da República; portanto, para se salvar e ter chances em 2018, a direita brasileira terá antes de abandonar Temer

247 – A revista Veja, um dos pilares do golpe parlamentar de 2016, que liquidou a democracia brasileira e ajudou a arruinar a economia, começa a abandonar sua cria.

Na capa deste fim de semana, a revista da família Civita diz que Michel Temer, Eliseu Padilha e Alexandre de Moraes não estão nem aí para os anseios éticos da população brasileira e não ligam nem para as aparências.

Temer, como se sabe, apareceu 43 vezes apenas na primeira delação da Odebrecht, por ter pedido R$ 11 milhões à Odebrecht em pleno Palácio do Jaburu.

Padilha, na mesma delação, a de Claudio Melo Filho, é acusado de receber R$ 4 milhões em espécie. Na semana passada, sem perceber que era gravado, ele também confessou que o Ministério da Saúde foi trocado por um punhado de votos no Congresso.

Moraes é também alvo de outra reportagem de Veja, por ter aceitado participar de um jantar com senadores que irão sabatiná-lo na chalana Champagne, onde são realizadas festas com garotas de programa, em Brasília.

A capa deste fim de semana tem também um significado político. Como Temer é reprovado por 66,6% dos brasileiros, segundo apontou a pesquisa CNT/MDA, ele tem derrubado todos que se associaram a seu fiasco, como é o caso dos candidatos do PSDB à presidência da República – especialmente Aécio Neves (PSDB-MG), que caiu de 35% a 10% das intenções de voto, desde o golpe.

Portanto, para se salvar e ter chances em 2018, a direita brasileira terá antes de abandonar Temer. Caso contrário, seu único candidato viável será o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), tratado como "fenômeno" em outra reportagem da revista deste fim de semana.

Dilma diz que pode sair candidata a deputada ou senadora

Em entrevista, ela falou ainda sobre o golpe que a afastou da presidência e a possível candidatura de Lula ao Palácio do Planalto em 2018

Por Redação / Revista Fórum

Em entrevista à agência AFP, na tarde deste sábado (18), Dilma Rousseff comentou sobre o golpe parlamentar que a afastou da presidência em 2016. “Não serei candidata a presidente da República, se essa é a pergunta. Agora, atividades políticas não vou deixar de fazer. Não descarto a possibilidade de uma candidatura para cargos como senadora ou deputada”, afirmou.

Ela disse que não guarda rancores das pessoas que articularam sua saída, nem mesmo do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. “Não tenho nada contra Eduardo Cunha, nenhum sentimento de vingança ou coisa parecida. Não tive nem com os meus torturadores”, declarou.

Em Brasília para participar de um evento de mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma citou ainda a possível candidatura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto em 2018. “Apesar de todas as tentativas de destruir sua pessoa, sua história, Lula segue em primeiro lugar [nas pesquisas], segue sendo espontaneamente o mais votado”, destacou.

VÍDEO: Formandos surpreendem e fazem juramento “Fora, Temer” em SC

Protesto durante cerimônia de formatura foi aplaudido com fervor pela plateia; assista

Por Redação / Revista Fórum
Alunos do curso de História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) improvisaram durante o juramento de formatura e pediram “Fora, Temer” na cerimônia.

“Entendemos que o processo educacional se fundamenta no pensar”, declarou o orador da turma. Ao dizer “Portanto…”, o grupo gritou em uníssono “Fora, Temer”, arrancando aplausos e apoio da plateia.
Assista a seguir.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Dilma: Parabéns Raduan, pelo prêmio e por não se calar diante do golpe

O discurso do escritor brasileiro Raduan Nassar, que denunciou o golpe e as arbitrariedades cometidas no Brasil ao receber o Prêmio Camões nesta sexta-feira, 17, foi elogiado pela presidente deposta Dilma Rousseff; "Parabéns, Raduan Nassar, pelo Prêmio Camões de literatura e pela coragem de "não ficar calado" diante do golpe e dos desmandos do governo ilegítimo", disse a presidente deposta em sua página no Facebook

247 - O discurso do escritor brasileiro Raduan Nassar, que denunciou o golpe e as arbitrariedades cometidas no Brasil ao receber o Prêmio Camões nesta sexta-feira, 17, foi elogiado pela presidente deposta Dilma Rousseff.

"Parabéns, Raduan Nassar, pelo Prêmio Camões de literatura e pela coragem de "não ficar calado" diante do golpe e dos desmandos do governo ilegítimo", disse a presidente deposta em sua página no Facebook.

Depois do discurso de Raduan, o ministro da Cultura, Roberto Freire, contrariando o protocolo, discursou por último, fez críticas ao homenageado. "Não existe nenhuma confusão em relação ao momento democrático que vive o Brasil", disse Freire, seguido de risos e vaias da plateia.

Confira íntegra do discurso de Raduan Nassar:

Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.

Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.

Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.

Saudações a todos os convidados.

Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua.

Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.

Portanto, Sr.Embaixador, muito obrigado a Portugal.

Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.

Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.

Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado "Angorá". E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas

É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.

O golpe estava consumado!

Não há como ficar calado.

Obrigado