quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Mentiras sobre Lula tiveram início há mais de 30 anos; veja as principais

De propriedades inventadas a tráfico de influência que nunca aconteceu, as calúnias que já foram ditas contra o ex-presidente
A sede da Esalq/USP; boatos dão conta de que filho de Lula é o verdadeiro dono da sede da instituição.
Não é de hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família são vítimas de mentiras e boatos infundados. Não raramente, tais mentiras são repetidas e fomentadas por setores da imprensa, partidos políticos e até funcionários públicos, como promotores e delegados.

Sempre buscando atingir a imagem do ex-presidente, as mentiras costumavam ganhar mais força em períodos eleitorais, sempre com o objetivo de prejudicar o desempenho de Lula nas urnas. Via de regra, a estratégia resulta em fracasso, mas já houve casos em que o golpe baixo atingiu seus objetivos.

De envolvimento com sequestros a propriedade inventada de grandes imóveis, no Brasil ou no exterior. De tráfico de influência a estratagemas para obter favorecimentos jurídicos. Leia, abaixo, a lista de mentiras já inventadas contra Lula, todas devidamente desmentidas com provas ao longo dos tempos.
- "Lula é dono de mansão no Morumbi"

Remonta ao início dos anos 1980 a primeira boataria de grandes proporções de que foi vítima o ex-presidente Lula. À época, ele recém fundara o PT, então um partido de proporções bem mais modestas do que hoje, com poucos mandatos eletivos conquistados.

Era o tempo em que pessoal que panfletava nas portas de fábricas em favor do PT ouvia rumores de que Lula tinha uma enorme mansão no Morumbi, e eram todos do partido uns tolos por acreditar no ex-sindicalista e no partido que fundara.

A boataria só teve fim anos depois, quando a realidade se impôs. Lula jamais deixou de morar em São Bernardo do Campo, desde que chegou ao Estado de São Paulo. Órgãos de fiscalização e controle, como Receita Federal e Ministério Público, jamais sequer aventaram a hipótese de Lula ser dono de uma mansão no Morumbi.
- A falsa ligação entre Lula e o PT com sequestradores de Abílio Diniz

O empresário Abilio Diniz, ex-proprietário do Grupo Pão de Açúcar - foi sequestrado na capital paulista, em 11 de dezembro de 1989, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais de 1989, que estavam sendo disputadas em sua reta final por Lula e Fernando Collor de Mello.

Diniz foi libertado após ficar seis dias em cativeiro. O grupo de sequestradores era formado por quatro chilenos, três argentinos, dois canadenses e um brasileiro, ligados ao Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), que exigia resgate de US$ 30 milhões para libertar o empresário.

Após o estouro do cativeiro, a polícia paulista apresentou camisetas do PT e material de campanha de Lula, que teoricamente teriam sido encontrados em imóveis alugados pelo grupo de criminosos. O material acabou relacionando o Partido dos Trabalhadores à ação do MIR. Fernando Collor, então, fez farto uso do material em sua campanha.

A libertação do empresário aconteceu na véspera do segundo turno da eleição, quando Lula perdeu para Collor. A vinculação dos sequestradores ao PT foi avaliada como uma das causas da derrota do petista. A polícia só encerrou as investigações e colocou fim aos boatos meses depois das eleições, quando Collor já ocupava a Presidência da República.

O jornalista e escritor Mário Sérgio Conti esclareceu os fatos em seu livro "Notícias do Planalto", publicado anos depois das eleições de 1989. "As investigações posteriores provaram que nenhum militante do PT estivera envolvido no sequestro de Abílio Diniz. Os sequestradores disseram em juízo que policiais civis os torturaram e, antes de os apresentarem à imprensa, os forçaram a vestir camisetas do PT."

A Polícia Civil estava sob o comando do secretário da Segurança, Luiz Antônio Fleury Filho. A vítima, Abílio Diniz, protestou contra a tortura de seus algozes. Quase um ano depois, em outubro de 1990, o governador de São Paulo, Orestes Quércia, superior imediato de Fleury, disse numa entrevista ao Estado de S. Paulo que durante o sequestro 'houve pressões no sentido de que se conduzissem as investigações para envolver o PT'". Já o jornal "O Globo", após as eleições, deu a manchete: "Sequestro de Abílio não foi político".

- As mentiras da campanha de Collor sobre a filha Lurian

Poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 1989, Miriam Cordeiro, ex-namorada do então candidato do PT à Presidência, Lula, apareceu no programa eleitoral de seu adversário, Fernando Collor, para acusar o pai de sua filha Lurian de supostos defeitos morais. Ela o acusara de ser “racista”, “abortista” e de desprezar a filha que tinham tido.

Lula obteve direito de resposta concedido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, a pedido da própria filha, levou-a para frente das câmeras, onde desmentiu tudo que foi dito. Mas o estrago já havia sido e esta mentira foi mais um episódio a contribuir para derrota de Lula nas urnas em 1989.

Foi só anos mais tarde que a verdade veio à tona. A própria Miriam Cordeiro revelou que fora paga por Collor para caluniar o pai de sua filha naquele programa eleitoral. Sob o título "A vida confortável de Miriam Cordeiro", reportagem publicada no Jornal do Brasil não deixava margem para dúvidas, tampouco as revelações de Miriam, que afirmou, referindo-se a contas da vida particular: "Eles (equipe de campanha de Collor) pagavam tudo".

- Filho de Lula é dono da Friboi e da sede de uma faculdade pública

Um boato que se espalhou pela internet e redes sociais é o de que "o filho de Lula é dono da Friboi". A Friboi é uma das maiores - se não a maior - indústria de proteína animal do mundo. Todas as mudanças em seu quadro acionário são acompanhadas de perto pelo mercado financeiro e pela imprensa econômica. Fosse algum filho de Lula um dos donos da Friboi, não haveria como tal fato não ser de conhecimento nacional, nem deixar de ganhar as páginas dos principais jornais do país.

Mas os fatos não são suficientes para barrar os boatos, que pululam nas redes sociais, sobre a propriedade do filho do Lula sobre a Friboi e muitos outros patrimônios, incluindo aviões, fazendas e até o campus de uma universidade pública.

A própria Friboi já teve que vir a público se manifestar contra a mentira. Já a família de Lula fez até B.O. na polícia na tentativa de conter os mentirosos. Chegaram a ser identificadas pelo menos seis pessoas dentre as que espalham mentiras sobre o patrimônio do filho do Lula.

Eles foram chamados a depor, e cinco compareceram. Intimados, justificaram suas atitudes dizendo acreditar que os comentários sobre a compra de fazendas e aviões fossem verdadeiros. Desculparam-se alegando que não teriam “pensado na hora de fazer as postagens”. Apenas um dos intimados, Daniel Graziano, filho do dirigente do PSDB Xico Graziano, ex-chefe de gabinete e ex-secretário particular de Fernando Henrique Cardoso. não compareceu. À época, ele era gerente administrativo e financeiro do Instituto FHC.

Ainda sobre "o filho do Lula", um dos últimos boatos apresentou como casa central de uma “fazenda do filho do Lula," em Araçatuba (SP), a majestosa sede da Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós (Esalq - USP), que pode ser vista na imagem acima.

- "Lula recebeu por palestras que jamais proferiu"

Após deixar a Presidência da República, em 2010, Lula era reconhecido mundialmente como um estadista que acabara de realizar a maior transformação social que o país já vivera. Passou a cobrar para dar palestras o mesmo valor que cobrava o ex-presidente Bill Clinton, e empresas como a InfoGlobo, que edita os jornais O Globo e Extra, não hesitaram em pagar, conforme já publicou a própria empresa, em reportagem nO Globo: "Além de divulgar o evento em seus jornais, a Infoglobo arcou com os custos dos palestrantes, inclusive do ex- presidente Lula".

Procuradores do Ministério Público Federal no Distrito Federal, no entanto, afirmaram em mais de uma oportunidade que tinham desconfiança de que Lula não havia proferido as palestras que proferiu a empresas ao redor do mundo. Especificamente, afirmavam que Lula não havia proferido duas palestras na Angola, nos anos de 2011 e 2014.

Foi preciso que o Instituto Lula divulgasse a lista completa de palestras, bem como vídeos de algumas delas, proferidas em países tão díspares quanto Inglaterra e Angola, para acabar com a boataria que teve origem no núcleo duro do Ministério Público Federal no Distrito Federal. Acesse aqui para assistir à palestra proferida por Lula na Angola em 2011, e aqui para acompanhar a palestra de 2014 do ex-presidente no país africano.

- "Lula é dono de uma mansão no Uruguai"

No ano passado, a revista Isto É, que recentemente viu multiplicar as verbas de publicidade advindas da Presidência da República , publicou reportagem em que afirmava ser Lula proprietário de uma mansão no Uruguai, na praia de Punta del Este.

Sem apresentar qualquer documento que comprovasse a exótica tese, o semanário se baseava em boatos ouvidos de guias turísticos. Em que pese a falta de provas, a negativa do ex-presidente e o fato de Lula jamais ter pisado em Pubta desde que deixou a Presidência, em 2010, a revista não deixou de publicar matéria de capa sobre o assunto. O jornalista da TV Globo Alexandre Garcia, então, deixou-se enganar pelo boato, e passou também a espalha-lo.

Semanas depois, visivelmente constrangido, Garcia publicou um desmentido de si mesmo. O áudio gravado pelo jornalista pode ser ouvido aqui. Já a revista Isto É ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto.

- "Lula pediu favores a Gilmar Mendes"; o próprio ministro desmente anos depois

Em junho de 2012, a revista Veja acusou Lula de ter pressionado o ministro do STF Gilmar Mendes para adiar o julgamento do mensalão. Nelson Jobim, ex-deputado, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Justiça e da Defesa, que acompanhou o encontro, e Lula sempre negaram essa versão. Gilmar Mendes deixou a imprensa fazer barulho sobre o assunto, mas quando o Ministério Público quis ouvi-lo sobre o caso, não foi depor.

Anos depois, ao explicar o motivo de ter pego uma carona com o presidente em exercício, Michel Temer, até Portugal, onde o jurista queria passar férias, Mendes acabou provando o que Lula e Nelson Jobim diziam. 

Em entrevista ao jornal O Globo, tratando do assunto, ele deixou claro que Lula nunca lhe pediu nada. "Jantei inúmeras vezes com Lula no Palácio da Alvorada, e as nossas mulheres sempre mantiveram um relacionamento de amizade. Mas nunca acenei com facilidades, e Lula nunca me pediu nada"

- As mentiras da vez: tríplex do Guarujá e sitio de Atibaia

Atualmente, a mentira que se conta é a de que Lula seria dono de um apartamento no Guarujá e de um sítio em Atibaia, no litoral e no interior de São Paulo, respectivamente. Líder nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018, o ex-presidente sabe que o boato não será desmentido de livre e espontânea vontade tão cedo.

Os advogados de Lula não se cansam de provar na Justiça que essas não passam de mais mentiras a serem somadas à extensa lista de que Lula é vítima. Em Atibaia, Lula frequentava o sítio de amigos de décadas da família, mas o sítio não é dele, mas sim de donos reconhecidos que comprovaram a origem dos recursos para compra. E Lula ou sua família jamais foram donos, tiveram a chave ou usaram o apartamento do Guarujá. Lula esteve lá uma única vez, e sua esposa duas vezes, para avaliar se comprariam ou não o apartamento. Mais uma vez, como em todas as outras, o tempo se encarregará de trazer a verdade à tona.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Prisão de Boulos é ato de ‘repressão política’, diz PT na Câmara

Líder da bancada do PT, Carlos Zarattini diz que detenção de líder do MTST é um nítido ato de repressão política da PM-SP, comandada por Geraldo Alckmin

A Bancada do PT na Câmara emitiu nota de repúdio à prisão de Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), nesta terça-feira (17), durante uma reintegração de posse na Zona Leste de São Paulo. O nome de Boulos foi o termo mais comentado do Brasil no Twitter.

Segundo o líder da Bancada, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que assina a nota, a prisão “se configura nitidamente como um ato de repressão política por parte da Polícia Militar de São Paulo”.

Na delegacia, Boulos afirmou à imprensa que a sua detenção foi um ato político. “Foi uma prisão política evidente. Não teve nenhuma razão legal. Eles despejam 700 famílias com violência e eu que incitei a violência. Foi uma prisão descabida. Não houve flagrante. Atribuíram a mim coisas que não aconteceram”, afirmou.

“O MTST estava nessa ocupação para garantir o direito das pessoas que estavam sendo despejadas, buscar construir uma saída negociada e pacífica. A tropa de choque avançou, jogou bombas, e querem encontrar um culpado”.

Na nota, a bancada ainda informa que que irá tomar todas as medidas necessárias para garantir a soltura de Guilherme Boulos e cobrará a apuração quanto aos abusos cometidos por agentes da lei.

Leia a nota na íntegra:

“Inaceitável repressão política à luta pelo direito à moradia

A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados repudia a prisão arbitrária do filósofo e militante Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), nesta terça-feira (17), que se configura nitidamente como um ato de repressão política por parte da Polícia Militar de São Paulo.

A PM-SP, comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), segue à risca a orientação de repressão total aos movimentos sociais imposta pelo Ministro de Justiça do governo golpista de Michel Temer, Alexandre de Moraes, que foi durante vários anos secretário de Segurança Pública dos governos tucanos em São Paulo e contra o qual pesam sérios questionamentos quanto à sua conduta à frente dos órgãos públicos pelos quais passou.

Causa espanto e indignação o fato de que Guilherme Boulos foi detido enquanto intermediava o diálogo entre a PM-SP e as 700 famílias que ocupam um terreno na Zona Leste de São Paulo. Em vez de garantir o diálogo, a polícia optou pela repressão explícita, usando um dispositivo arcaico do Código Penal – a acusação de “desobediência civil” – para justificar a prisão de um dirigente político, ação que é típica de regimes totalitários.

Cabe ressaltar que o terreno ocupado, chamado de Jardim Colonial, não cumpre o princípio da função social da propriedade consagrado na Constituição Federal nos artigos 5º, 170, 182 e 186, o que explicita a justeza da reivindicação das famílias ocupantes. A luta do MTST é, acima de tudo, uma luta pela efetivação de direitos constitucionais e não pode ser tratada como questão de polícia.

Por fim, a Bancada do PT registra que irá tomar todas as medidas necessárias para garantir a soltura de Guilherme Boulos e cobrará a apuração quanto aos abusos cometidos por agentes da lei.

Brasília, DF, 17 de janeiro de 2017.

Deputado Carlos Zarattini (PT-SP)

Líder do PT na Câmara”.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Em 1 minuto, Câmara “acerta” R$ 130 bi de “pedaladas” de Temer. Assista

Há pouco mais de seis meses, Dilma foi deposta alegando-se que havia feito “pedaladas fiscais”. No apagar das luzes, Câmara golpista aprova para Temer muito mais do que o dobro do valor que se utilizou para impedir Dilma Rousseff

Por Fernando Brito e Poder360

Há pouco mais de seis meses, uma presidenta eleita pelo voto foi deposta alegando-se que havia feito “pedaladas fiscais”, com a realização de despesas – de natureza social, frise-se – só depois autorizadas pelo Congresso no Orçamento.

Agora, graças ao repórter Gabriel Hirabahasi, do Poder360 fica-se sabendo de algo que todas as “raposas” do jornalismo político deixaram passar solenemente.
Dia 20, no apagar das luzes do seu funcionamento, a Câmara dos Deputados aprovou, em apenas um minuto, 31 projetos de lei de abertura de crédito, num total de R$ 130 milhões. Muito mais do que o dobro do valor que se utilizou para impedir Dilma Rousseff.

Deste dinheiro, três projetos, que somam quase R$ 100 bilhões se destinam ao pagamento de encargos financeiros da União – leia-se: juros e serviço da dívida. O Poder360 publicou aqui a lista completa.


O espetáculo patético do patético Waldir Maranhão fazendo a leitura às carreiras, sem debate, da autorização desta montanha de despesas é chocante.

É óbvio que boa parte destes recursos é de “acerto contábil”, porque é impossível empenhar regularmente R$ 130 bilhões em 10 dias, com o Natal e o Ano Novo no meio, ainda mais.

É patética também a inação da oposição “boazinha” e cooperativa. Fosse com Dilma esta votação seria obstruída sem piedade, e dane-se que as despesas fossem legítimas.

O presente de Natal de Temer para o trabalhador: fim dos direitos

Reforma da previdência, fim de investimentos sociais e estímulo às demissões; Veja lista de presentes que o presidente golpista deu ao trabalhador neste fim de ano
O Natal sob o governo do golpista Michel Temer (PMDB) não veio com boas notícias para o trabalhador. Pelo contrário. Neste fim de ano, o presidente usurpador lançou e aprovou medidas que retiram direitos dos mais pobres e acabam com o estado de bem estar social.

Reforma trabalhista

Em projeto de lei enviado ao Congresso, o golpista quer expandir a jornada do trabalhador além das atuais 8 horas diárias, para até 12 horas por dia. Esse acréscimo seria feito sem pagamento de horas extras, e respeitando o limite de 44 horas semanais e 220 mensais (em meses com 5 semanas).

O projeto também prevê a prevalência do negociado sobre o legislado. Quer dizer, acordos entre empregados e trabalhadores se sobressaem à legislação trabalhista. Em um momento de crise e aumento do desemprego e quando há uma fragilização das condições trabalhistas, essa mudança pode significar o fim de diversos direitos trabalhistas. O projeto também fala sobre a limitação do horário do almoço para apenas meia hora e o fatiamento de férias.

PEC dos Gastos

Principal medida do governo do golpe para supostamente salvar a economia, a proposta de emenda à Constituição foi aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado. A emenda acaba com a obrigatoriedade de gastos em saúde e educação e impõe um teto para os gastos públicos. Na prática, ao longo de 20 anos vai reduzir os investimentos em sociais per capita – proporcional ao número de habitantes – já que a população brasileira está crescendo. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o pacote de austeridade é incompatível com as obrigações de Direitos Humanos do Brasil e que o efeito da proposta se abaterá sobre os mais pobres.

O brasileiro quando tem renda, ele procura serviços particulares. Mas o que não têm, vai ficar sem”, afirma. “Será que a sociedade brasileira aguenta?”, questionou o economista André Perfeito sobre a proposta.

Previdência

A PEC da Previdência apresentada pelo golpista neste fim de ano foi classificada como cruel e desumana. Para justificar a medida, Temer apresentou um quadro falacioso da Previdência Social que, segundo muitos economistas, não está quebrada como apontou o golpista. Os mais impactados serão os mais pobres, os trabalhadores rurais e as mulheres.

Alguns dos absurdos da proposta:

– As mulheres serão as grandes prejudicadas. Hoje, a idade mínima para elas é de 60 anos. Com a reforma, passará para 65. Além disso, a regra dos 85 anos para aposentadoria integral (soma de tempo de contribuição e da idade do contribuinte) passará para 114 anos para as mulheres. Para os homens, os atuais 95 também se transformam em 114. Isso porque, além da idade mínima de 65 anos, serão necessários quase 49 anos de contribuição. Isso vindo de um presidente usurpador, que se aposentou aos 55 anos.

– A idade que idosos muito pobres que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) passará de 65 para 70 anos. Além disso, uma mesma família não poderá acumular dois BPCs (no caso de famílias que têm um idoso e uma pessoa com deficiência física, por exemplo, que também tem direito ao recebimento).

– Por conta das especificidades do trabalho no campo, o trabalhador rural é atendido pelo Regime Especial de Aposentadoria. O homem do campo se aposenta aos 60 e a mulher, aos 55. Isso ocorre porque no campo, o trabalho começa muito cedo. No novo regime, a idade mínima de ambos passa para 65, prejudicando especialmente as mulheres.

– Ainda no campo, o trabalhador rural terá o seu regime de contribuição modificado. Hoje, ele paga à Previdência uma porcentagem sobre a venda de sua produção, que pode ser mensal, anual, a depender do calendário da colheita. Na regra do golpista, o agricultor terá que contribuir mensalmente, ignorando as especificidades do trabalhador do campo (que não recebe um salário mensal e nem sempre tem disponibilidade para ir mensalmente a um banco, por exemplo).
Estímulo a demissões

Outro presente do golpista foi uma medida que estimula as demissões. Michel Temer retirou gradualmente a multa de 10% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) paga pelo empresário para o governo em demissões sem justa causa. Na prática, isso é um estímulo ao desemprego, já que fica mais barato dispensar o trabalhador.

Da Redação da Agência PT de Notícias.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Milhões de civis sofrem com emergências humanitárias na Coreia do Norte

Gravidade da situação faz Conselho de Segurança promover um debate sobre os direitos humanos no país; 70% da população não têm comida suficiente; um quarto está sem acesso adequado a serviços de saúde; necessários US$ 145 milhões.
Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/Amanda Voisard.
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Segurança promove esta sexta-feira um debate aberto sobre os direitos humanos na Coreia do Norte. O vice-secretário-geral da ONU participou do encontro e lembrou que pela investigação da Comissão de Inquérito, "crimes contra a humanidade foram cometidos no país".

Segundo Jan Eliasson, o povo norte-coreano não consegue ter uma voz devido "às restrições e aos riscos que enfrentam caso decidam exercer seus direitos". Ele lembra dos mais vulneráveis, que continuam sofrendo com os "campos para presos políticos, com um sistema econômico explorador e com a ampla discriminação baseada no status social".

Financiamento

O vice-chefe da ONU explicou que US$ 145 milhões de dólares são necessários para resolver a crítica situação humanitária da Coreia do Norte. No Conselho de Segurança, ele fez um apelo para que os países-membros apoiem atividades que podem salvar vidas.

Jan Eliasson apresentou alguns números sobre a emergência humanitária. Quase 70% da população do país, ou 18 milhões de pessoas, enfrentam insegurança alimentar.

Um quarto dos habitantes tem acesso inadequado a serviços de saúde, enquanto um quinto da população não têm acesso à água potável e ao saneamento adequado. O impacto nas crianças é enorme e muitas não conseguem se desenvolver de forma adequada.

Poucos progressos

A situação apenas piorou com desastres naturais, como um tufão que atingiu o norte do país em setembro, afetando 600 mil pessoas.

Eliasson lembra um dos princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: "não deixar ninguém para trás", por isso é tão importante separar opiniões geopolíticas do apoio tão necessário às pessoas que mais precisam.

No Conselho de Segurança, o vice-secretário-geral destacou ser muito difícil obter informações sobre os direitos humanos na Coreia do Norte, mas os dados obtidos até agora mostram uma série de violações e poucos sinais de melhora.

Jan Eliasson garantiu que as Nações Unidas continuarão trabalhando para garantir melhorias genuínas e duradouras da situação humanitária no país asiático.