sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Zanin: Tarso deu aula a Moro, que poderia ter evitado ação contra Lula

Durante audiência com o ex-ministro Tarso Genro, o juiz Sergio Moro, da Lava Jato, demonstrou preocupação com a refundação do PT e fez perguntas ao depoente sobre punição do partido aos acusados de corrupção; segundo o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, Moro se preocupou com "questões político-partidárias" e teve uma "verdadeira aula de ciência política" de Tarso Genro; "Se essa aula tivesse ocorrido antes, possivelmente muitos erros conceituais que a denúncia cometeu nesse campo poderiam ter sido evitados", opina Zanin; assista

247 - O juiz Sergio Moro, da Lava Jato, demonstrou preocupação com "questões político-partidárias" durante sua audiência com o ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro no caso do triplex no Guarujá, afirmou o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins.

Tarso depôs como testemunha de defesa de Lula no processo. Segundo Zanin Martins, Moro teve uma "verdadeira aula de ciência política" de Tarso Genro. "Se essa aula tivesse ocorrido antes, possivelmente muitos erros conceituais que a denúncia cometeu nesse campo poderiam ter sido evitados", opina o advogado.

Durante a audiência, o juiz demonstrou preocupação com o processo de refundação do PT e fez perguntas ao depoente sobre punição do partido aos acusados de corrupção. "Essa ideia da refundação, renovação, também envolveria reconhecimento de eventuais irregularidades praticadas por agentes vinculados ao Partido dos Trabalhadores?, perguntou Moro.

O juiz argumentou que queria entender a relação do partido com seus subordinados, e demonstrou interesse sobre como esse projeto lidaria com integrantes acusados de corrupção, como José Dirceu e Delúbio Soares.

O advogado de Lula tentou interromper o interrogatório sobre o partido: "Vossa Excelência, na verdade, não está julgando o PT e nem questões de natureza político-partidária". Moro respondeu que queria entender a relação do PT e do ex-presidente Lula em relação interna partidária.

O jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, comentou a atuação de Moro na audiência: "Não lhe diz respeito analisar atitudes de um ente partidário, muito menos as de natureza subjetiva. Justiça criminal é sobre responsabilidade objetiva, sobre alguém praticar ou encobrir um delito, não sobre o julgamento moral que faz sobre apenamentos que são de indivíduos". Para ele, Moro demonstrou fazer um julgamento político, não criminal.

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