sábado, 8 de outubro de 2016

Para presidente do PT de PE, PSB foi partido definidor do golpe

Na avaliação de Bruno Ribeiro, a posição do PSB diverge de sua própria história. Ele lembra que o ex-governador Miguel Arraes também foi vítima de um golpe
Foto: Agência Brasil.
Na avaliação do presidente estadual do PT em Pernambuco, Bruno Ribeiro, o PSB foi o partido definidor do golpe à democracia, que afastou a presidenta eleita Dilma Rousseff.

O petista explica sua posição. “Na Câmara dos Deputados, o quórum do impeachment foi excedido, naquela sessão sombria de 17 de abril, em 29 votos. O PSB tem 33 deputados. Então o voto do golpe foi do PSB”.

Para ele, esse fato contradiz a própria história do PSB, lembrando que em 1964 o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes sofreu um golpe “em condições muito semelhantes ao da presidenta Dilma”.

“Tal como Dilma como cassada em um golpe parlamentar, Arraes também foi. Miguel Arraes foi preso em 1º de abril, no golpe de 64. À tarde, a Assembleia decretou a vacância do seu cargo. Mas ele não tinha abandonado a gestão, estava preso. E, como sempre na história brasileira tem um vice disponível para trair, o Temer de então se chamava Paulo Guerra e foi empossado no governo”, contou.

E é dentro desse ambiente de “democracia ferida” que acontecem as eleições municipais deste ano.

“Faz um mês em que a Constituição foi violada, que uma presidenta legítima e inocente, sem crime de responsabilidade, foi alvo de um golpe, que 3 milhões e meio de votos de pernambucanos nessa presidenta foram cassados”, declarou.

Bruno Ribeiro espera que as eleições municipais deste ano sejam um primeiro passo ao retorno da democracia no Brasil.

Para ele, o País vive um Estado de exceção, não apenas pela espécie de eleição indireta de Michel Temer, “um governante ilegítimo e impostor”, mas também porque esse governo tem levado a cabo uma pauta que não foi escolhida pelo povo, que é a de suprimir direitos.

“Um governo ilegítimo que quer estabelecer teto para gastas públicos dos 20 anos seguintes de governos que se elegerão pelo povo”, completou.

Falsa divisão

No Recife, o Partido dos Trabalhadores enfrenta, no segundo turno, o prefeito do PSB, Geraldo Julio. O PSDB e o DEM, partidos dos candidatos derrotados na primeira etapa, declararam apoio à candidatura do atual gestor.

Essa posição deles, na avaliação de Bruno Ribeiro, desnuda a “falsa divisão” que houve no primeiro turno na capital pernambucana.

“Porque os partidos aliados no golpe tiveram três candidaturas. Só que essa era uma falsa divisão. Os três estão no governo Temer. São parte do governo e da agenda de supressão de direitos”, explicou.

Bruno questiona como que aqueles que há um mês cassaram o voto de milhões com o golpe podem agora pedir voto ao eleitor.

“Isso é uma contradição profunda. Fizeram uma simulação de um impeachment no Congresso, inventaram um crime de responsabilidade, cassaram três milhões de votos de pernambucanos, e agora está atrás do voto de novo”, repudiou.

O presidente do PT PE destaca que PSB, DEM e PSDB são “partícipes e cúmplices na violação à soberania do voto, na violação à democracia, na farsa do impeachment, são construtores dessa tentativa de suprimir direitos”.

Neste cenário, a eleição do petista e ex-prefeito do Recife João Paulo se desponta como resistência ao golpe. “A gente espera, junto ao povo e à militância, derrotar isso aqui no Recife”.

E para quem aposta na derrota de João Paulo neste segundo turno, por conta de diferença de votos entre ele e Geraldo Julio no primeiro turno, Bruno Ribeiro lembra o ocorrido nas eleições presidenciais de 2014.

“Aqui em Pernambuco, a presidenta Dilma teve próximo a 30% no primeiro turno. E no segundo teve acima de 60%”.

Para ele, o apoio do PSDB e do DEM ao PSB não significa a transferência automática dos votos de seus candidatos a Geraldo Julio.

“Eleitor não é gado. Assim como os eleitores do PT, quem votou no PSDB e no DEM repudia a gestão de Geraldo Julio, querem uma nova cidade, querem mudanças e não é o comando de direções partidárias que vai mudar esse desejo da sociedade”, afirmou.

E completa: “Eles não têm poder sobre o povo. Eles têm poder de se acumpliciarem no parlamento para cassar voto do povo, agora para dirigir o voto do povo, eles não têm não. E vão perder, de novo. É o Recife do povo de novo”.

Por Luana Spinillo, do Recife, para a Agência PT de Notícias.

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