segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Desigualdades pioram impactos da mudança climática para os mais pobres

Novo relatório lançado pelas Nações Unidas afirma que nos últimos 20 anos, 4,2 bilhões de pessoas foram afetadas por desastres naturais; países de baixa renda tiveram as piores perdas, cerca de 5% do PIB.
Fachada de prédio em Mumbai, na Índia. Foto: Banco Mundial/Simone D. McCourtie.
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Um novo relatório das Nações Unidas traz evidências de que a mudança climática está prejudicando principalmente os mais pobres e vulneráveis no mundo. Os impactos são ampliados pelas desigualdades, segundo a Pesquisa Econômica e Social Mundial 2016.

O documento trata da resiliência à mudança climática e mostra que os governos podem acabar com as desigualdades por meio de políticas transformadoras.

Mais Pobres

Nos últimos 20 anos, 4,2 bilhões de pessoas foram afetadas por desastres relacionados ao clima. Países de baixa renda sofreram os maiores impactos, com perdas econômicas calculadas em 5% do Produto Interno Bruto, PIB.

O relatório traz um comentário do secretário-geral da ONU. Ban Ki-moon lamenta que as pessoas que têm mais risco de sofrer de desastres climáticos sejam os "pobres, os vulneráveis e os marginalizados".

As famílias pobres são geralmente as que constroem em terrenos inseguros, que podem sofrer deslizamentos, contaminação de água e enchentes. Dados mostram que 11% da população mundial vivia em zonas costeiras de baixa elevação em 2000 – a maioria pobre e sujeita a sofrer com cheias, sem condições de ir morar em áreas mais seguras.

Katrina

O relatório cita como exemplo a cidade de Mumbai, na Índia, onde as famílias mais pobres estão sempre precisando consertar as casas devido aos impactos das enchentes.

Já a cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, enfrentou o fucarão Katrina em 2005, sendo que as desigualdades geradas por renda, raça e educação aumentaram a vulnerabilidade da população. Segundo a pesquisa, os afro-americanos tiveram mais dificuldades para se recuperar dos impactos causados pelo furacão.

Financiamento

O relatório defende políticas que reforcem a capacidade de pessoas e países lidarem com os impactos dos eventos climáticos. Olhando para o futuro, o documento sugere o uso de tecnologias da comunicação e sistemas modernos de informação geográfica.

Existe a preocupação com o financiamento de projetos do tipo. Durante a Conferência do Clima em Paris, no ano passado, os países adotaram a meta de investir US$ 100 bilhões por ano para mitigação e adaptação da mudança climática.

A Pesquisa Econômica e Social 2016 forca nos desafios de médio e longo prazo para implementar a Agenda 2030 sobre Desenvolvimento Sustentável. O documento foi produzido pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.

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