quinta-feira, 4 de agosto de 2016

“Eu sei de onde eu vim e sei para onde vou voltar”, diz Lula

Em assentamento do MST no Sul da Bahia, ex-presidente agradeceu o apoio do MST nos momentos mais difíceis de sua vida e reafirmou a importância do movimento

Na quarta-feira (3), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou o assentamento Lulão do MST, perto de Porto Seguro, no Sul da Bahia.

O assentamento foi criado pelo ex-presidente, em 2005, para atender a reivindicação de cerca de 150 indígenas Pataxó, da aldeia Guaxuma. Eles pediam o direito de viver e produzir em terras desocupadas à margem de uma grande empresa de celulose.

Naquele ano, Lula estava no local para inaugurar a fábrica de celulose, mas foi informado sobre a reivindicação dos acampados, encontrou-se com eles e disse que a causa era justa.

Hoje, 720 famílias vivem no Assentamento Lulão, com 3 escolas, 15 poços artesianos, 2 postos de saúde, 65 km de estrada construída e 9 represas.

Em seu discurso, Lula agradeceu o apoio do MST nos momentos mais difíceis de sua vida e reafirmou que a elite não deve temer a ele, mas sim ao povo que aprendeu que merece viver com dignidade.

“Eu tô aqui porque eu quero morrer sendo testemunha de que valeu a pena a vida de vocês”, falou o ex-presidente, em conversa com os assentados.

No dia anterior, Lula havia participado do lançamento da pré-candidatura de Fernando Mineiro em Natal.
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula.
Leia abaixo a íntegra da fala do ex-presidente:

“Eu fico me perguntando: por que eu, um ex-presidente já aposentado, não estou sossegado em casa cuidando dos meus oito netos? E agora eu vou ser bisavô, por que minha neta tá grávida. É porque a vida da gente é motivada pelo que toca na alma da gente. E vocês do MST, a quem eu devo agradecimento e solidariedade profundos, nos momentos mais difíceis da minha vida vocês sempre estavam lá.


Quando eu estava na presidência eu dizia: eu sei de onde eu vim e sei para onde vou voltar. E eu estou aqui com vocês.

Eu lembro das reivindicações de vocês, eu lembro das críticas que a imprensa me fez quando eu disse que o Movimento Sem Terra era um movimento sério e que merecia nosso respeito.

Vocês provaram com o resultado do que fizeram que estavam certos, quando vcs lutavam pelo que queriam.

Eu tava conversando com a Sandra (assentada do acampamento Lulão) e ela me disse: Lula, eu tô rica. Mas eu olhei na casa dela e não vi nada de rico. E eu conversei para perguntar por que você fala que tá rica e eu não tô vendo riqueza? Ela largou tudo que ela fazia para virar acampada.

Ela disse: eu tô rica porque tenho 10 hectares, tenho mil galinhas e eu não vendo. Eu dou. Eu não quero ganhar dinheiro com as minhas galinhas.

Eu fiquei pensando: a riqueza não é a mesma para todas as pessoas, tem gente que tem milhões e acha que é rico. Mas ele não é porque ele não sabe o valor da vida


Eu tô aqui porque eu quero morrer sendo testemunha de que valeu a pena a vida de vocês.

Nós aprendemos a mostrar que esse país pode ser governado com dignidade. As pessoas humildes não querem muito. Querem trabalhar, estudar, ter acesso à cultura. Ninguém quer nada de ninguém. Queremos o direito à vida. Nós queremos que a filha de um sem-terra possa frequentar a universidade e ser o que ela quiser.

Acho, Sandra, que você não é rica por causa da terra. É rica por causa da sua dignidade, sua solidariedade, sua causa.

Esse país tem tudo que um país precisa. O que esse país não tinha era vergonha na cara de quem governava. E precisou chegar um cara que não é letrado, mas que conhece a alma de todos vocês.


E valeu a pena acreditar em vocês e vai valer a pena eu dizer ao resto desse país, quando eu encontrar um pessimista.

Vou dizer: vai conhecer o Lulão, para você ver que lá homens e mulheres conseguiram sobreviver. Se Deus permitir, nenhuma criança de vocês vai passar as privações que vocês passaram. Porque elas nasceram para ter uma vida digna.
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula.
Estamos vivendo um golpe neste país, centenas de parlamentares decidiram que ela tinha que sair e deram um golpe. Não é a Dilma que está sendo cassada, é o voto de todos os baianos, de todos os brasileiros. Estão querendo criminalizar o PT, o Lula, a Dilma o MST.


A elite brasileira não tem mais que se preocupar comigo. Eu já tô com 70 anos. Eles têm que se preocupar é com os filhos e netos de vocês. Essa molecada que desde muito cedo aprendeu através de vocês que podem ter dignidade. Essa molecada não vai aceitar ser subserviente como nossos pais foram nesse país.

E se for necessário eu volto, e se eu voltar é para ganhar as eleições.

Nós renascemos nos nossos filhos e nos nossos netos.

O povo quer liberdade, dignidade e respeito.

E vocês dos sem-terra são um exemplo pra gente.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do site do Lula.

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