sábado, 14 de maio de 2016

Presidente de El Salvador não reconhece Michel Temer como presidente

Anúncio reforça a percepção internacional de que o golpe no Brasil põe em risco a democracia e que a presidenta, Dilma Rousseff, foi alvo justamente dos que estão sob investigação
Salvador Sánchez Cerén, presidente de El Salvador, anunciou neste sábado (14) que não reconhecerá Michel Temer como presidente do Brasil e chamou a embaixadora salvadorenha, Diana Vanegas, de volta ao país. A informação é do “La Prensa Gráfica”, veiculada por twitter.

Sánchez Cerén disse que seu governo “respeita a democracia e a vontade popular”, que a ampla movimentação do governo interino significa que já condenaram antecipadamente a presidenta eleita, Dilma Rousseff, e que se trata de “uma manipulação política”.

Ele comparou o julgamento de Dilma com os golpes de Estados perpetrados por militares, que foram lugar comum nos países latinoamericanos nas últimas décadas do Século XX, mas com a diferença que este se deu via Parlamento.

A percepção internacional do golpe contra Dilma é amplamente negativa para o Brasil, com outros presidentes se manifestando publicamente pelo não reconhecimento do governo Temer e também lideranças políticas e imprensa denunciando o atentado à democracia.

O ministro das Relações Exteriores e chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, se posicionou contra o impeachment e garantiu que o governo uruguaio não tem intenções de reconhecer Temer. O governo do Chile também manifestou sua preocupação com as circunstâncias em que Dilma foi afastada. O governo de Cuba divulgou nota chamando a saída de “golpe de estado parlamentar e judicial, disfarçado de legalidade”.

Além disso, o tratamento do golpe na imprensa internacional foi de surpresa e críticas, com preocupação com os riscos à democracia. Em editorial, o principal jornal dos EUA, “The New York Times“, afirmou não haver “nenhuma evidência de que ela abusou do poder para ganho pessoal, enquanto os políticos que orquestraram sua saída estão implicados em diversos escândalos”.

A imprensa alemã reportou o momento político atual como de “falência do Brasil”. Segundo o site do “Deutsche Welle (DW)”, “o grande e orgulhoso Brasil terá que se resignar a, no futuro, ser citado por historiadores” junto das nações que tiveram seus presidentes “afastados de forma questionável do cargo”.

O britânico “The Guardian” também publicou editorial e com linhas mais carregadas: afirmou que o sistema democrático brasileiro se rompeu com o golpe. O texto “O sistema político que deveria estar em julgamento, e não uma mulher” reforça ainda que Dilma foi atacada por um preconceito machista pela sua liderança feminina, e pela direita brasileira que nunca se conformou inteiramente com a ascensão do PT.

Da Redação da Agência PT de Notícias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário