quinta-feira, 24 de março de 2016

“A grande imprensa foi definitivamente pro lixo”, diz professor que recusou entrevista à Folha

Depois de negar entrevista ao jornal e sugerir que procurassem Marco Antonio Villa, o historiador da USP Rafael Marquese falou à Fórum sobre os motivos que o levaram a tomar a decisão. “Imprensa golpista e sem vergonha”

Por Ivan Longo / Revista Fórum

Rafael Marquese, historiador da Universidade de São Paulo (USP), não dá mais entrevistas para a mídia tradicional, mas falou com a Fórum. Depois ganhar fama nas redes sociais por se recusar falar com a Folha de S. Paulo para uma matéria da editoria de turismo, Marquese contou os motivos que o levaram a tomar a decisão.

“A razão da minha resposta foi simples: cancelei minha assinatura da Folha na campanha presidencial de 2014. De cinco anos para cá, a grande imprensa (Folha, Estado, Globo) foi definitivamente para o lixo. Para além do viés político, é uma imprensa golpista, sem vergonha, safada. Todos são de péssima qualidade jornalística”, criticou o professor, que na sua resposta à repórter da Folha ainda sugeriu que procurassem o historiador Marco Antonio Villa – assíduo apoiador do PSDB e de governos tucanos.

De acordo com Marquese, ele já chegou a escrever para a Folha em outras ocasiões e até deu entrevistas para a Globonews. O estudioso acredita, no entanto, que de um tempo para cá não há mais “substância” nesses veículos.

“Se não leio, também não contribuo! Nunca mais”, pontuou.

No mesmo dia, outro professor recusou uma entrevista à Globonews. O cientista político Reginaldo Nasser explicou à Fórum que tomou uma “decisão política” ao se negar a falar com um canal que, segundo ele, “não faz jornalismo” e “incita a população ao ódio”.

5 comentários:

  1. Muito coerente a justificativa, também sinto a mesma coisa. A imprensa não precisa tomar partido, seus âncoras, não precisam fazer caras e bocas e muito menos juízo de valor. Acho um absurdo esse comportamento entrando pelos veículos de comunicação de nossas casas, invadindo e interferindo na educação que damos aos nossos filhos. Quando meus filhos perguntam sobre o que falam eu digo, isso não é informação isso é difamação. E toda difamação tem viés de interesse político e econômico que atenta contra o direito de todos de formar sua própria opinião.

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  2. Está correto, quem sabe e tem caráter não deve mesmo aceitar o que a mídia golpista faz.

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  3. Apoio totalmente, também cancelei, aqui em Porto Alegre, a assinatura da Zero Hora. Larguei Veja e Istoé há pelo menos uns 20 anos e não assisto mais telejornais de nenhuma emissora, são repletos de mentiras e armações. Informo-me através dos blogs de jornalistas e comentaristas independente. Fiquei melhor de saúde!!!

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  4. Como cantou Rauzito: "Eu não preciso ler jornais. Mentir sozinho eu sou capaz"...

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  5. Acredito que se todas as pessoas serias e formadoras de opiniao no Brasil, como e' o caso de Rafael Marquese e Reginaldo Nasser, entre outras, se negassem a dar entrevistas, depoimentos, etc, para essa midia tupiniquim, comprometida com essa elite conservadora brasileira, com certeza avancariamos um pouco mais. A midia no Brasil, e principalmente a Globo, Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo, sao monopolizadoras e conservadoras, e sempre "ad eternum", estarao `a serviço dessas elites dominantes e conservadoras. Muito louvavel a atitude de Marquese, e so vem a fortalecer o coro de que essa midia e' golpista, e apoiadora dessa tentativa de de dar um golpe nessa nossa ainda tao fragilizada democracia.

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